Entenda quem é o responsável pela Cinemateca, que chegou a ser oferecida como prêmio de consolação para Regina Duarte

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Responsável pela gestão de mais de 250 mil rolos de filmes e um milhão de documentos que contam a história do audiovisual brasileiro, a Cinemateca Brasileira vive a maior das crises de seus 74 anos. A instituição federal, que chegou a ser oferecida a Regina Duarte após deixar a atriz deixar o comando da Secretaria Especial da Cultura, em maio do ano passado, entrou em crise em dezembro de 2019. Foi , quando quando venceu o seu contrato com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), então gestora da instituição, que parou de receber recursos do governo federal.

Na época, o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, encerrou o contrato da Acerp para a realização da TV Escola. Como havia um aditivo para a administração da Cinemateca, a situação virou um imbróglio jurídico. As negociações para a resolução da dívida da OS com a União, de cerca de R$ 14 milhões, voltaram à estaca zero com a entrada de Mario Frias na secretaria, em junho de 2020. Neste mês, a brigada de incêndio, que era terceirizada, chegou a interromper seus trabalhos, e, durante uma falha de luz no bairro da Vila Leopoldina, o gerador da sede não funcionou.

O então prefeito da capital, Bruno Covas (1980-2020), cogitou propor um plano de municipalização da Cinemateca, o que não foi bem recebido pela Secretaria. O ápice da disputa se deu no dia 7 de agosto, quando as chaves da Cinemateca foram retomadas pela União, por meio de ofício da Secretaria especial da Cultura. A ação contou com uma comissão de funcionários federais, entre eles o secretário nacional do audiovisual substituto, Helio Ferraz de Oliveira, atual "nº 2" de Frias na pasta. O grupo foi acompanhado pela Polícia Federal.

O Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) chegou a enviar um ofício à Secretaria Especial da Cultura pedindo informações acerca da falta de repasse do governo à instituição. Sem respostas, o MPF-SP entrou com uma ação civil pública contra a União para que fossem tomadas medidas emergenciais pela preservação do acervo e do edifício. A liminar, inicialmente negada, foi concedida somente em fevereiro deste ano pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). O MPF solicitou ações de emergência como o restabelecimento do Conselho Consultivo da Cinemateca e a recomposição do quadro de funcionários.

Desde o ano passado, funcionários da equipe de preservação, que foram demitidos, alertam que o acervo estava sem nenhum acompanhamento, e que apenas seguranças, bombeiros e limpeza trabalhavam no local. Em abril, os trabalhadores divulgaram um manifesto, e planejavam um protesto para o próximo dia 7, quando faz um ano que a União retomou a Cinemateca. Mas o fogo chegou antes.

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