Entenda ressalvas de correntes do Vasco sobre contrato por SAF

Situacionistas e oposicionistas à gestão de Jorge Salgado falaram a mesma língua ao analisarem o contrato assinado entre Vasco e 777 Partners, em vias de ser aprovado pelos sócios do clube. A Assembleia Geral Extraordinária deve acontecer dia 7 e os associados devem confirmar a transferência do futebol para a SAF. O grupo americano ficará com 70% dos ativos da nova empresa.

O grande benemérito Luis Manoel Fernandes foi uma das vozes mais claras a respeito das ressalvas que o compromisso amarrado gera. Ele não é do grupo político que apoia a atual diretoria, mas teve os pontos compartilhados por correntes que compõem a base de Salgado.

O principal ponto diz respeito aos mecanismos existentes em contrato para obrigar a SAF a manter a preocupação com a obtenção de resultados esportivos. Entre 2023 e 2026, os americanos terão a obrigação de realizar aporte na SAF de R$ 700 milhões (R$ 70 milhões já adiantados ao clube). Caso não cumpra com o investimento, consta no documento que o clube associativo terá o direito de reaver os ativos da SAF.

O problema, na visão desses conselheiros, é o que acontecerá depois desse investimento obrigatório. No contrato, consta que a SAF deverá atingir determinados resultados esportivos ou então manter investimentos entre os cinco maiores do país. Caso as metas esportivas não forem alcançadas, a SAF terá um percentual dos dividendos necessariamente voltado para o investimento no futebol. Quanto pior for o desempenho em campo, maior será a mordida em cima dos dividendos dos acionistas.

Para alguns dos sócios que estudaram o contrato, esse mecanismo é frágil para obrigar a 777 Partners a buscar o desempenho esportivo a longo prazo. O melhor seria manter no documento cláusulas de saída a favor do clube associativo relacionadas ao rendimento esportivo.

A melhor maneira de os torcedores fiscalizarem as escolhas do grupo americano será através do clube associativo, que permanecerá com 30% dos ativos da SAF. E aí está a segunda preocupação mais latente desses associados, preocupados com a venda. Existe o receio de que o clube tenha dificuldades para se manter estável depois da migração do futebol para a SAF.

Isso porque uma das principais fontes de receita do clube será o quadro social e a perda do direito a ingressos por parte desse associado depois da criação da empresa poderá fazê-lo migrar para o programa sócio-torcedor da SAF.

Uma diminuição drástica no número de sócios estatutários poderá gerar uma reação em cadeia no clube associativo, que poderá ter na venda de até 20% dos ativos uma maneira de se capitalizar. Outra alternativa, ainda mais drástica, seria a venda de São Januário para a SAF, prerrogativa que consta no contrato com assinado com a 777 Partners.

O clube associativo promete se readequar financeiramente para a realidade sem os recursos do futebol. E tenta convencer os sócios estatutários atuais a seguirem adimplentes, mesmo com a futura perda das vantagens atuais.

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