Entenda ritmo lento na vacinação contra covid: Atraso na chegada de doses e de insumos

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Enfermeira vacina mulher contra a covid-19
Vacinação contra a covid-19 segue em ritmo lento no Brasil (Photo by Mario Tama/Getty Images)
  • Balanço mostra que menos de 10% da população já foi imunizada com as duas doses da vacina contra covid-19

  • Previsão de entrega de imunizantes do Ministério da Saúde tem atraso na entrega

  • Laboratórios brasileiros também param produção por falta de insumos

Desde o início da campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil, em janeiro, 41 milhões de pessoas foram imunizadas com ao menos uma dose, o que corresponde a 19,64% da população brasileira. Balanço da vacinação do Ministério da Saúde aponta que pouco mais 20 milhões de brasileiros receberam as duas doses, ou seja, 9,65% da população.

Com isso, o Brasil ocupa a 84ª posição de pessoas totalmente vacinadas proporcionalmente. Especialistas apontam que a vacinação é fundamental para conter a pandemia no país.

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Um dos motivos pelo ritmo lento é que a previsão de entrega de vacinas pelo Ministério da Saúde não se concretizou. No primeiro cronograma, estavam previstas mais de 47 milhões de doses para abril. Na prática, foram entregues menos de 26 milhões.

Na última quinta-feira (20), a pasta anunciou a antecipação de 4 milhões de doses das vacinas Oxford/AstraZeneca enviadas pela aliança Covax Facility que estavam previstas apenas para o próximo trimestre.

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de mãos dadas com o mascote Zé Gotinha
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na chegada de um lote de doses da Pfizer (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

Confira a previsão do ministério:

Maio 

  • CoronaVac: 5.100.010 doses 

  • Oxford/AstraZeneca via Covax Facility: 4.051.200 doses 

  • Oxford/AstraZeneca via Fiocruz: 20.590.000 doses 

  • Pfizer: 3.357.900 doses 

Total: 33.099.110 doses 

Junho 

  • CoronaVac: 6.032.258 doses (pendentes à espera de IFA) 

  • Oxford/AstraZeneca via Covax Facility: 4.048.800 doses (adiantadas) 

  • Oxford/AstraZeneca via Fiocruz: 34.200.000 doses (pendentes à espera de IFA)

  • Pfizer: 12.001.860 doses 

Total: 56.282.918 doses 

3° trimestre 

  • CoronaVac: 48.148.506 doses 

  • Oxford/AstraZeneca via Fiocruz: 30.235.900 doses 

  • Pfizer: 84.483.360 doses 

Total: 162.867.766 doses 

4° trimestre 

  • CoronaVac: 30.000.000 doses 

  • Janssen: 38.000.000 doses (a ser contratado) 

  • Oxford/AstraZeneca via Fiocruz: 110.000.000 doses

  • Pfizer: 99.999.900 doses (em tramitação contratual)

Total: 277.999.900 doses

BRAZIL - 2021/05/06: In this photo illustration a hand holding a medical syringe is seen with main coronavirus (COVID-19) vaccine logos displayed on a screen in the background. (Photo Illustration by Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
Brasil ainda aguarda a chegada de vacinas contra a covid-19 (Photo Illustration by Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

Outras possibilidades

Além dessas, há expectativa de mais 32.605.600 doses, em negociação pelo consórcio Covax Facility. As vacinas indiana Covaxin e russa Sputnik V ainda não têm aprovação da Anvisa para uso no Brasil, mas podem somar mais 30 milhões de doses, ao todo, se aprovadas.

Atraso na produção nacional

O ritmo lento na vacinação deve-se também ao atraso na chegada do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) para os laboratórios brasileiros que produzem os imunizantes.

A Fiocruz não produz vacinas desde a última quinta-feira (20). Já o Instituto Butantan, que fabrica a CoronaVac, está com a produção para desde 14 de maio pelo mesmo motivo.

Uma nova remessa do IFA chega da China para a Fiocruz neste sábado (22). Para o Butantan, a previsão de 25 e 26 de maio. Mas, segundo os laboratórios, a quantidade que receberão é muito menor do que a esperada, o que deve impactar na produção de imunizantes, e consequentemente, na entrega ao Ministério da Saúde.

Balanço

Total de vacinados, segundo os governos, e o percentual em relação à população do estado:

  • *AC: 1ª dose - 118.175 (13,32%); 2ª dose - 47.433 (5,30%)

  • AL: 1ª dose - 599.856 (17,90%); 2ª dose - 260.882 (7,78%)

  • AM: 1ª dose - 701.522 (16,67%); 2ª dose - 413.304 (9,82%)

  • AP: 1ª dose - 116.954 (13,57%); 2ª dose - 51.402 (5,96%)

  • BA: 1ª dose - 3.120.336 (20,90%); 2ª dose - 1.438.059 (9,63%)

  • CE: 1ª dose - 1.549.463 (16,87%); 2ª dose - 942.322 (10,26%)

  • DF: 1ª dose - 586.455 (19,20%); 2ª dose - 302.592 (9,90%)

  • ES: 1ª dose - 887.453 (21,84%); 2ª dose - 345.231 (8,49%)

  • GO: 1ª dose - 1.258.661 (17,69%); 2ª dose - 604.000 (8,49%)

  • MA: 1ª dose - 1.128.897 (15,87%); 2ª dose - 491.434 (6,91%)

  • MG: 1ª dose - 4.450.039 (20,90%); 2ª dose - 2.156.548 (10,13%)

  • MS: 1ª dose - 707.270 (25,18%); 2ª dose - 330.392 (11,76%)

  • MT: 1ª dose - 543.508 (15,41%); 2ª dose - 261.235 (7,41%)

  • PA: 1ª dose - 1.313.112 (15,11%); 2ª dose - 688.387 (7,92%)

  • PB: 1ª dose - 802.241 (19,86%); 2ª dose - 400.811 (9,92%)

  • *PE: 1ª dose - 1.589.775 (16,53%); 2ª dose - 817.304 (8,50%)

  • PI: 1ª dose - 564.114 (17,19%); 2ª dose - 269.752 (8,22%)

  • PR: 1ª dose - 2.272.564 (19,73%); 2ª dose - 1.130.580 (9,82%)

  • RJ: 1ª dose - 3.013.899 (17,35%); 2ª dose - 1.414.968 (8,15%)

  • RN: 1ª dose - 635.891 (17,99%); 2ª dose - 327.650 (9,27%)

  • RO: 1ª dose - 219.542 (12,22%); 2ª dose - 120.591 (6,71%)

  • RR: 1ª dose - 78.230 (12,39%); 2ª dose - 52.437 (8,31%)

  • RS: 1ª dose - 2.865.217 (25,08%); 2ª dose - 1.283.200 (11,23%)

  • *SC: 1ª dose - 1.408.893 (19,43%); 2ª dose - 698.643 (9,63%)

  • SE: 1ª dose - 409.494 (17,66%); 2ª dose - 184.945 (7,98%)

  • SP: 1ª dose - 10.368.833 (22,40%); 2ª dose - 5.261.070 (11,37%)

  • TO: 1ª dose - 235.279 (14,80%); 2ª dose - 122.232 (7,69%)

Governo Bolsonaro recebe alertas de nova onda da pandemia

O governo federal vem recebendo alertas sobre a chegada de uma nova onda da pandemia de Covid-19 de secretários de estados e municípios.

Presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e secretário no Maranhão, Carlos Lula afirma que alertou Queiroga, nesta semana, sobre possível alta da doença.

Para Lula, o recrudescimento da pandemia pode ser superior aos anteriores. "A gente já parte de um patamar muito alto", disse o secretário.

Segundo ele, o SUS não tem estoque suficiente de insumos essenciais, como kits de intubação, e está perto do limite da expansão de leitos.

Os gestores temem, além da falta de insumos, que a rede de atendimento pública não dê conta da nova alta da pandemia.

Também há preocupação sobre a falta de insumos como seringas para as campanhas de imunização contra a Covid-19 e gripe.

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