Entidade diz ser difícil crer que ataque dos EUA a hospital afegão foi erro

CABUL (Reuters) - A entidade Médicos Sem Fronteiras (MSF) declarou nesta quinta-feira que é difícil acreditar que um ataque dos Estados Unidos a um hospital afegão no mês passado foi um erro, já que recebeu relatos de pessoas que foram baleadas por uma aeronave enquanto fugiam do local. Pelo menos 30 pessoas foram mortas quando o hospital de Kunduz foi atingido por um ataque aéreo em 3 de outubro, enquanto forças do governo do Afeganistão lutavam para retomar o controle da cidade no norte afegão tomada por militantes do Taliban dias antes. Os EUA afirmaram que o hospital foi atacado por acidente. Duas investigações separadas dos norte-americanos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão em andamento, mas as circunstâncias do ataque, um dos piores do tipo nos 14 anos do conflito, ainda não estão claras. O diretor-geral do MSF, Christopher Stokes, disse a repórteres que a organização ainda espera uma explicação dos militares dos EUA. "Todas as informações que providenciamos até agora mostram que um erro é bastante difícil de entender e acreditar a esta altura", afirmou ele durante a apresentação de um relatório interno da entidade sobre o evento. O relatório informa que muitos funcionários descreveram "ver pessoas sendo alvejadas, muito provavelmente de um avião" enquanto tentavam escapar do principal edifício do hospital. "Pelo que estamos vendo agora, esta ação é ilegal pelas leis de guerra", disse Stokes. "Ainda há muitas perguntas sem resposta, entre elas quem tomou a decisão final, quem deu as instruções sobre o hospital como alvo." Várias autoridades afegãs aventaram a hipótese de que combatentes do Taliban estavam usando o hospital como uma base, afirmação que o MSF rejeita categoricamente. A entidade diz que as instalações estavam sob seu controle todo o tempo e que não havia combatentes armados presentes antes ou durante a ofensiva. O MSF revisou o saldo de mortos original para cima e agora diz que 30 pessoas, incluindo funcionários seus e três crianças, morreram durante os ataques repetidos realizados por uma poderosa aeronave militar norte-americana. (Reportagem de Michael Martina)

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