Entidade do movimento negro acusa Russomanno de racismo

Gustavo Schmitt
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Entidade que pertence ao movimento negro, a Uneafro Brasil ingressou nesta sexta-feira com uma representação criminal por racismo contra o candidato à Prefeitura de São Paulo Celso Russomanno, do Republicanos. A queixa foi prestada na promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo.

Numa postagem em rede social, o candidato havia classificado como "vandalismo" uma homenagem feita pela prefeitura de São Paulo ao dia da Consciência Negra, celebrado no próximo dia 20. O governo municipal colocou nos sinais de trânsito uma imagem de punhos cerrados, símbolo que representaria a luta contra o racismo.

Russomanno alegou que não tinha conhecimento de que o símbolo tinha relação com o dia da Consciência Negra. Segundo o candidato, sua interpretação era de que o ícone tinha relação com a esquerda e o comunismo.

Ao tentar se justificar, no entanto, Russomanno disse que não era racista e que foi criado por uma "mãe de leite negra", que tinha amigos negros e chegou a ter namorada.

— Depois é que tomei conhecimento do que a prefeitura queria fazer. É um gesto que é tido ao longo de quase 100 anos como de esquerda — disse o candidato em sabatina do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL.

— Eu não vou polarizar essa questão. Eu fui criado por uma mãe de leite negra. Não vejo diferença entre negros e brancos, tenho grande amigos negros e tive namorada, inclusive. A prefeitura é que não pode fazer uma campanha e não dizer a população o que é. Colocar punho cerrado nos semáfaros contraria a lei de trânsito. Vão responder por crime de improbidade.

Para a coordenadora da Uneafro Brasil, Elaine Mineiro, a fala do candidato reafirma o seu racismo e reforça o estigma social do "lugar dos negros" na sociedade ao usar o termo "mãe de leite", que teria conotação de "serviçal" e externaria racismo na conduta.

— Uma pessoa que está se candidatando à prefeitura da maior cidade do país, onde mais da metade da população é negra, não pode dizer que desconhece termos e símbolos importantes da luta contra o racismo —, afirma Elaine.

Na representação, a Uneafro Brasil pede abertura de inquérito contra o candidato por racismo, além da retirada do ar da postagem em que ele se refere a política pública de enfrentamento ao racismo como “ato de vandalismo”.

A campanha do Russomanno sustenta que não há "o menor indício de racismo na fala" e sugere que querem "forjar uma má interpretação para prejudicar o candidato."

"Trata-se de uma representação infundada, realizada por movimento com o exclusivo objetivo de criar um fato político e de conferir à fala uma dimensão que ela não teve. Como Russomanno se mantém nas pesquisas, buscam criar factóides para tentar influir de forma ilegítima na consciência do eleitor", diz a nota da campanha de Russomanno.