Entidades alertam para custo democrático da violência política e cobram ação de instituições

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cerca de 40 entidades da sociedade civil assinaram nesta terça-feira (12) uma nota em repúdio à escalada da violência política no país e ao assassinato do guarda municipal petista Marcelo de Arruda, morto a tiros em Foz do Iguaçu (PR) pelo policial penal bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho.

Os signatários pedem que as instituições brasileiras tomem medidas que garantam um ambiente seguro de campanha para todos os candidatos nas eleições de 2022, assim como a seus militantes e apoiadores.

"O custo democrático da violência política é muito alto. A democracia depende de eleições justas, e a justiça só é plena quando os direitos políticos são garantidos a todas e todos de forma integral e igualitária", afirma o texto.

Entidades e movimentos como Oxfam Brasil, MST (Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras sem Terra), Instituto Sou da Paz, Movimento Negro Unificado LGBT, Comissão Brasileira Justiça e Paz, Terra de Direitos e Aliança Nacional LGBTI assinam a nota de repúdio.

Elaborado pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Democracia e dos Direitos Humanos do Congresso, o documento ainda reúne 24 parlamentares das legendas PSD, PSOL, PSB, PT, Rede, PDT e PC do B. A nota é encabeçada pela coordenadora do colegiado, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ).

A iniciativa destaca que a flexibilização do controle de armas potencializa o cenário de violência política para as eleições e relembra uma fala feita em 2018 pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), então candidato ao Palácio do Planalto, orientando seus eleitores a "fuzilar a petralhada".

"Atitudes como essa influenciam e incitam a violência a violência, ainda mais quando advém de uma figura pública que deveria defender e promover o respeito", afirma a nota. "É preciso, urgentemente, dar um basta nessas manifestações de ódio e intolerância para que tragédias como a que resultou na morte de Marcelo não se repitam", continua.

Para a deputada Talíria Petrone, são muitos os casos que mostram o acirramento da violência política no país —que, segundo a parlamentar, é incentivada por quem está à frente do Estado brasileiro.

"O que aconteceu no último sábado, em Foz do Iguaçu, é de uma brutalidade imensa. Mas, infelizmente, não é uma prática isolada nesse país onde o ódio e a intolerância vêm colocando em risco a nossa tão frágil democracia", diz Petrone.

"Lamentavelmente, o presidente da República dá poder para que seus apoiadores cheguem às últimas consequências contra quem apresenta sérias críticas à forma como [eles] conduzem o país. E as instituições precisam tomar providências efetivas para que consigamos barrar esse cenário trágico e impedir que novos corpos sejam silenciados", finaliza.

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