Entidades do agronegócio negam envolvimento com atos terroristas no DF

Organizações repudiaram ações e pediram punição dos responsáveis

Congresso Nacional aparece destruído após invasão de bolsonaristas radicais; entidades do agro repudiam (REUTERS/Adriano Machado)
Congresso Nacional aparece destruído após invasão de bolsonaristas radicais; entidades do agro repudiam

(REUTERS/Adriano Machado)

  • Entidades do agronegócio negam envolvimento com atos de terrorismo em Brasília;

  • Em nota, organizações repudiam a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes;

  • Declarações acontecem após parte dos invasores dizer que foi financiada por "gente do agro".

Entidades representativas do agronegócio negaram, nesta segunda-feira (9), terem qualquer envolvimento com os atos terroristas praticados por bolsonaristas radicais em Brasília, na tarde de ontem (8). Na ocasião, as sedes dos Três Poderes foram invadidas e seriamente depredadas.

O repúdio é feito após parte dos invasores afirmar ter sido financiada por "gente do agro". O setor foi um importante aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o mandato e na campanha à reeleição. A informação foi divulgada pela TV Globo, que revelou ter apurado os detalhes junto à Polícia Civil.

Os depoimentos dão conta de que estes vândalos, de diversos estados, tiveram disponibilizados transporte, alimentação e todas as facilidades necessárias para comparecer aos atos antidemocráticos do fim de semana.

Veja abaixo o que as entidades do agronegócio disseram em notas divulgadas pela Folha de S. Paulo:

Abag (Associação Brasileira do Agronegócio)

"A Abag, com a responsabilidade e a preocupação com os fatos ocorridos neste domingo nas sedes dos três Poderes da República em Brasília, posiciona-se a favor do equilíbrio, a se procurar neste momento tenso", informou.

"É descabida, ilegal e inaceitável a ação de movimentos de invasões e vandalismo, assim como não se deve fazer declarações precipitadas seja pelo setor privado ou o público."

ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu)

O texto, assinado pelo presidente da entidade, Gabriel Garcia Cid, refuta a associação do setor com os atos e aponta que “a maior entidade pecuária do mundo não compactua com práticas que ameacem a ordem e a democracia do país".

"Quanto às menções feitas na tentativa de descredibilizar o agronegócio, a ABCZ reitera que o agro brasileiro é referência e é necessário para a segurança alimentar de mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. O agronegócio sério atua em harmonia com a sustentabilidade e não apoia –e, muito menos, estimula– atos de violência, como os registrados nos Três Poderes."

Segundo a entidade, "falas desconectadas e precipitadas, em um momento de instabilidade política, só desvalorizam todo o esforço que a cadeia produtiva tem feito para estar em constante crescimento dentro e fora do Brasil".

CropLife Brasil (CLB)

"Inovações precisam de ambientes que respeitem as instituições democráticas, obedeçam aos processos e garantam segurança jurídica", afirmou, apontando que as invasões "são absolutamente incompatíveis à retomada de crescimento econômico do Brasil".

"O agronegócio representado pela CLB é cumpridor da lei, dedicado produtor de alimentos seguros e saudáveis, protetor dos biomas do Brasil, desenvolvedor de tecnologias que contribuem para a mitigação das mudanças climáticas, gerador de empregos e um contribuidor para a economia do país", diz o texto.

Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais)

"Todos os envolvidos nos atos criminosos precisam ser punidos. A Abiove espera que o Brasil não tenha mais que ser obrigado a assistir a tristes episódios como esses", afirma.

Unica (União da indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia)

Diz repudiar “veementemente” os atos de vandalismo e afirma que opiniões políticas "devem ser manifestadas pelo voto e pelos canais republicanos".

"Neste momento, o Brasil precisa de comprometimento, não só de seu povo, mas de todos os setores da economia para garantirmos a estabilidade do país e o seu bem comum."