Entidades judaicas criticam Bolsonaro por encontro com política alemã de extrema-direita

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Foto do encontro entre Bolsonaro e Beatrix von Storch foi compartilhada pela alemã nas redes sociais (Foto: Reprodução)
Foto do encontro entre Bolsonaro e Beatrix von Storch foi compartilhada pela alemã nas redes sociais (Foto: Reprodução)
  • Grupo de entidades judaicas divulgou uma nota repudiando encontro entre Bolsonaro e política alemã de extrema-direita

  • Para grupos de judeus, associação entre bolsonarismo e neonazismo não são "coincidência"

  • Nota é assinada por 14 entidades e coletivos judaicos

Entidades judaicas se juntaram para repudiar o encontro entre Jair Bolsonaro (sem partido) e outros parlamentares bolsonaristas com a política alemã Beatrix von Storch. Para diversos coletivos formados por judeus, a reunião representa um alinhamento com um “nacionalismo violento e excludente, que ignora minorias, o desenvolvimento sustentável e a democracia”.

Além de Bolsonaro, estiveram com a deputada alemã Bia Kicis (PSL-DF) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ambos membros da base do presidente da República. O encontro já havia sido criticado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib).

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Para as entidades signatárias da nota, não há coincidência nas associações entre Bolsonaro e o neonazismo. “Esse encontro é mais um episódio lamentável dentre tantos que indicam que as associações entre o presidente e seus apoiadores com movimentos supremacistas e neonazistas não são mera coincidência, e sim concordância ideológica”, afirma.

“Nesse caso especificamente, destacamos que ele significa o engajamento com a intolerância a refugiados e outras minorias e o revisionismo histórico em relação ao Holocausto, pautas caras e inegociáveis para as entidades progressistas da comunidade judaica.”

A nota ainda repudia ataques antissemitas que a comunidade judaica tem sofrido recentemente, classificando todos os judeus como aliados de Bolsonaro. “Aproveitamos para denunciar os ataques antissemitas que muitos indivíduos e organizações vêm sofrendo, sob o argumento daqueles que supõem que a comunidade judaica é homogênea e alinhada com o governo Bolsonaro.”

As entidades lembram que, enquanto membros da comunidade apoiaram o atual presidente, outros sempre fizeram oposição a Bolsonaro.

“Essas manifestações foram amplamente divulgadas pela mídia e jamais arrefeceram. Esquecê-las ou ignorá-las a fim de fazer uma generalização grotesca da comunidade judaica brasileira é reproduzir estereótipos e uma prática comum do antissemitismo, negando-nos nosso papel como agentes políticos e vozes críticas.”

A nota é assinada pelas seguintes entidades:

  • Judeus Pela Democracia RJ (JPD)

  • Judias e Judeus Pela Democracia SP (JPD-SP)

  • Observatório Judaico de Direitos Humanos no Brasil

  • Instituto Brasil Israel (IBI)

  • Centro Cultural Mordechai Anilevitch (CCMA)

  • Associação Cultural Mordechai Anilevitch (ACMA)

  • Movimento de Mulheres Judias Me Dê Sua Mão

  • Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ)

  • Associação Scholem Aleichem (ASA-RJ)

  • Habonim Dror-SP

  • Associação Cultural Moshe Sharett

  • Meretz Brasil

  • Avodá Brasil

  • Associação Janusz Korczak do Brasil AJKB

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