Entidades repudiam destruição do patrimônio em Brasília

Entidades de vários setores divulgaram nesta segunda-feira (09) notas repudiando os atos terroristas cometidos em Brasília no domingo (08). Os golpistas, invadiram o Senado, o Planalto e o Congresso e destruíram o patrimônio, que incluía mobiliário do império e obra de arte de Di Cavalcanti atacada a facadas, por exemplo.

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A UNESCO chamou o ocorrido de "ataque terrorista" e "tentativa de se promover um golpe de estado no Brasil". A nota destaca que Brasília é a primeira e única cidade moderna a ser considerada patrimônio mundial.

"O ataque terrorista, perpetrado pelas forças antidemocráticas contra o conjunto moderno de Brasília, inscrito pela UNESCO, representam não só uma agressão ao povo e ao patrimônio cultural brasileiro, mas um crime contra a humanidade como um todo. Na ocasião, o ICOMOS vem lembrar que os crimes contra o patrimônio cultural são considerados também graves crimes contra os direitos humanos [...] Assim, esses crimes são hoje passíveis de julgamento pela Tribunal Pena Internacional (TPI), que em 2016, num precedente marcante, condenou Ahmad al-Faqi Al Mahdi por crimes de guerra, pela destruição de importantes edifícios históricos na cidade de Timbuktu no Mali", diz trecho da nota.

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Já a Associação Brasileira de Críticos de Arte disse por meio de nota reafirmar seu compromisso com a democracia e com a defesa da segurança e preservação do patrimônio cultural brasileiro.

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência destacou a ação, ou a falta dela, por parte de alguns policiais militares: "As imagens de domingo, mostrando policiais do Distrito Federal rindo e se filmando uns aos outros enquanto observam inertes a invasão do Congresso Nacional, constituem algo que requer pronta investigação e punição dentro dos rigores da lei. Devem ir para a rua e para a cadeia, obviamente dentro dos parâmetros da legislação e garantida a defesa", diz trecho da nota de repúdio aos atos golpistas.

O Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro disse em trecho da nota divulgada que "nada justifica as atitudes de vandalismo às três instituições símbolos do Estado de Direito e da Democracia no Brasil, bem como ao patrimônio coletivo da nação destruído de forma torpe, sob a conivência de autoridades que têm a atribuição de zelar por eles"

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A OAB Nacional também publicou nota repudiando os atos terroristas. "É preciso prender os responsáveis e agir firmemente para a efetiva punição de todos na forma da lei", escreveram."Tais atos atentam contra a democracia e representam inaceitável escalada de violência. Nada, absolutamente nada, justifica o cenário de guerra que se está a ver", diz outro trecho da nota.

O Comitê Brasileiro de História da Arte também reafirmou seu compromisso com a democracia e defendeu a segurança do patrimônio cultural brasileiro. "Preservar Brasília como bem do patrimônio cultural nacional equivale a defender o futuro da democracia no Brasil", diz nota.

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A Academia Brasileira de Letras também se manifestou contra os atos terroristas. "Oposição democrática não se faz destruindo o patrimônio cultural brasileiro, como aconteceu na invasão dos prédios onde funcionam os poderes da República [...] Este foi o ato mais grave contra a democracia já registrado em tempos recentes, e exige de todos os brasileiros uma ação decisiva para que não se repita".

Já o Instituto histórico e geográfico brasileiro definiu como "absolutamente inaceitável" a invasão e destruição do patrimônio nacional. A Academia Carioca de Letras e a Academia de Letras da Bahia também repudiaram os atos terroristas e exaltaram a importância da democracia por meio de nota.