Entrada de ajuda humanitária em Ghuta Oriental é adiada

Por Abdulmonam EASSA
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Um comboio humanitário entrou nesta sexta-feira no reduto rebelde sírio de Ghuta Oriental, perto de Damasco, para distribuir ajuda aos habitantes sitiados por bombardeios

A entrada de um comboio de ajuda humanitária prevista para esta quinta-feira (8) no reduto rebelde de Ghuta Oriental foi adiada por motivos de segurança, ao mesmo tempo em que o governo sírio prossegue a ofensiva terrestre e os bombardeios nesta região da periferia de Damasco.

Na região, médicos mencionaram dezenas de casos de asfixia na quarta-feira à noite e denunciaram um possível ataque químico.

Apoiado pela Rússia, o governo Bashar al-Assad reconquistou mais da metade da região desde que intensificou a ofensiva, em 18 de fevereiro, contra o último bastião rebelde próximo da capital do país.

Mais de 900 civis morreram nos bombardeios das últimas semanas, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Apesar do apelo da ONU por uma trégua, as forças sírias prosseguem com a ofensiva, com a intenção de dividir o território de Ghuta Oriental, onde quase 400.000 pessoas estão sitiadas desde 2013 e sofrem com a falta de alimentos e de remédios.

A ONU e várias ONGs deveriam distribuir ajuda humanitária nesta quinta-feira, mas a operação foi adiada.

"A evolução no local não permite levar a operação adiante", afirmou Ingy Sedky, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

- Comboio imobilizado -

Os caminhões do comboio permaneceram estacionados na periferia de Damasco, perto de um corredor humanitário que vai até o reduto rebelde.

Na segunda-feira, um comboio de 40 caminhões com ajuda humanitária foi obrigado a encurtar sua missão pelos bombardeios em Duma, cidade de Ghuta. A princípio, a ajuda médica e os alimentos deveriam atender a 70.000 pessoas.

Uma autoridade militar indicou a jornalistas que as autoridades sírias haviam aberto outra passagem humanitária entre a periferia de Damasco e o sul de Ghuta para permitir a passagem de civis.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU manifestou seu desejo de que a ajuda fosse entregue todos os dias em Ghuta, indicou uma fonte diplomática.

O governo Assad ignora os pedidos e continua com a ofensiva, apesar da resolução do Conselho de Segurança do fim de fevereiro que pede um cessar-fogo de 30 dias em toda a Síria, país em que a guerra iniciada em 2011 deixou mais de 340.000 mortos.

Na quarta-feira, os bombardeios do regime e da aliada Rússia mataram 91 civis, denunciou o OSDH, apesar de uma trégua diária de cinco horas decretada por Moscou há mais de uma semana.

Combates eram registrados na periferia de Ghuta, enquanto as cidades de Hamuriya e Jisrin eram bombardeadas.

- 'Asfixia' -

Na quarta-feira à noite, pelo menos 60 pessoas sofreram dificuldades respiratórias nas localidades de Saqba e Hamuriya, após os bombardeios, informou o OSDH.

De acordo com a ONG, os bombardeios foram realizados pelas aviações do governo sírio e da Rússia, aliada de Damasco, que negou bombardear Ghuta Oriental.

Casos de asfixia similares foram registrados em outras duas ocasiões nos últimos dias, segundo o OSDH.

"Por um ataque com gás de cloro em Ghuta Oriental temos pacientes que sofrem dificuldades respiratórias severas", afirmou a Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS), uma ONG que apoia os centros médicos da Síria.

Em Hamuriyah, dezenas de pessoas abandonaram as áreas no subsolo em que estavam refugiadas para evitar os bombardeios e buscavam o ar.

Pais tiraram as roupas dos filhos, que tossiam sem parar, para lavá-los com água e tentar eliminar a possível presença de gás tóxico em seus corpos.

"Estou sem ar", gritavam dois meninos, enquanto eram levados por voluntários para receber atendimento.

Nas últimas semanas, o governo sírio foi acusado de lançar vários ataques com gás cloro.

As acusações, rejeitadas por Bashar al-Assad, provocaram uma grande comoção. Washington e Paris ameaçaram a Síria com represálias.

Paralelamente, forças turcas e rebeldes sírios aliados tomaram nesta quinta-feira o controle total de Khandairis, localidade do enclave de Afrin (noroeste da Síria), onde Ancara conduz uma ofensiva contra uma milícia curda.