Entre 10 países mais populosos, 9 já iniciaram vacinação

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Entre os dez países mais populosos do mundo, apenas um ainda não começou a vacinação contra Covid-19: a Nigéria. No entanto, o número de doses administradas em muitos desses países mais pobres não é suficiente nem para 5% de seus habitantes, considerando apenas a primeira dose. Todas as vacinas atualmente em uso requerem duas doses para garantir eficácia total. A única imunização administrada em dose única, fabricada pela Janssen, ainda não obteve autorização emergencial em nenhum país. Bangladesh, o nono entre os dez com mais moradores a começar a vacinação, iniciou neste domingo (7) sua campanha, e planeja inocular em um mês 3,5 milhões com a vacina da AstraZeneca. Nos Estados Unidos, terceiro país mais populoso, foram aplicados 41 milhões de doses, que corresponderiam a uma dose para cerca de 12,4% de sua população (embora o CDC tenha informado que 9,1 milhões de pessoas já receberam as duas doses). Já a Indonésia, em quarto no ranking de população, só aplicou imunizante para a primeira dose de 0,01% de seus habitantes. Na Índia, administraram doses equivalentes a só 0,43% da população, e no México, a 0,5% do total. O Paquistão começou sua campanha na quarta-feira (3), após receber 500 mil doses da vacina Sinopharm de presente da China. Por enquanto, só profissionais de saúde serão inoculados, e a vacinação em massa ainda deve demorar dois meses para começar. Alguns países estão aplicando a primeira e segunda doses nos profissionais de saúde, e só a primeira nas outras pessoas, normalmente idosos, pacientes com comorbidade e outros grupos considerados de risco. Como isso varia, não é possível precisar o número de vacinados em cada lugar. A China, apesar de ter desenvolvido e estar fabricando várias vacinas, por enquanto só administrou doses equivalentes a 2,2% de sua população de 1,39 bilhão. No Brasil, segundo dados compilados por consórcio de veículos brasileiros, foram administradas 3,5 milhões de doses, equivalentes a 1,6% da população. Comparados a países mais desenvolvidos e menos populosos, o progresso da vacinação nessas nações é pífio. Israel lidera, com 62,9 doses a cada 100 habitantes, seguido do Reino Unido, com 17,6, e Estados Unidos, 11,8. São muitos os obstáculos para os países com mais população e menos renda: dificuldade de obter as doses necessárias, uma vez que, em meio ao nacionalismo sanitário, governos ricos compraram antecipadamente a maioria das vacinas; problemas de conservação do produto onde a logística para refrigeração é deficiente; custo; e boatos sobre os imunizantes que assustam a população. Em Bangladesh, o governo esperava vacinar um número muito maior de pessoas neste primeiro mês, cerca de 6 milhões, mas como apenas 328 mil se registraram, reduziu a meta. O país recebeu 5 milhões dos 30 milhões de doses que encomendou ao Serum Institute da Índia, além de 2 milhões de unidades doadas pelo governo indiano. "Apelo às pessoas que não prestem atenção nos boatos e venham se vacinar", afirmou o ministro da Saúde do país, Zahid Maleque. Na Indonésia, o governo adotou uma abordagem diferente --começou a vacinar pessoas entre 18 e 59 anos, economicamente mais ativas, que têm mais probabilidade de espalhar o vírus, embora sejam menos vulneráveis à forma mais grave da doença. A vacinação das pessoas com mais de 60 anos só começará nesta segunda-feira (8), usando a Coronavac. Na Nigéria, o governo nem deu estimativa para o início da imunização, dizendo apenas que está tentando obter as doses até o fim de fevereiro. Na sexta-feira (5), o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu que os países ricos suspendam seus programas de vacinação quando já tiverem protegido profissionais de saúde e os mais vulneráveis e permitam que os imunizantes sejam utilizados pelos países mais pobres. Até agora, mais de três quartos das inoculações foram feitas em apenas 10 países, que correspondem a 60% do PIB global. Ao mesmo tempo, mais de 100 países, onde vivem 2,5 bilhões, não receberam nenhuma dose até agora, disse o diretor da OMS.