Entre abstenções e votos brancos e nulos, mais de 2,2 milhões de eleitores cariocas não escolheram nenhum dos candidatos

Extra
·3 minuto de leitura
Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo
Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Numa eleição em que somente pouco mais da metade do eleitorado carioca efetivamente escolheu um candidato para a Prefeitura do Rio — a abstenção foi de 32,79%, e os votos brancos e nulos somaram 19,23% dos que foram às urnas — Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos) garantiram as duas vagas no segundo turno, que ocorrerá no próximo dia 29. Até lá, o ex-ocupante do cargo e o atual terão a missão não só de seduzir os que preferiram os concorrentes derrotados neste domingo (15), mas também precisarão convencer aqueles que nem saíram de casa a comparecer daqui a duas semanas e optar por um dos lados.

Paes conquistou 37,01% dos votos válidos (974.804 votos), confirmando a liderança que já era apontada desde as primeiras pesquisas. Crivella chegou a 21,90% (576.825 ) e superou as duas candidatas que passaram a campanha no seu encalço, ameaçando tirá-lo da disputa logo no primeiro turno, o que seria inédito para um prefeito do Rio tentando a reeleição. Martha Rocha (PDT) e Benedita da Silva (PT) terminaram quase empatadas, com uma vantagem muito pequena para a pedetista: 11,30% (297.751) a 11,27% (296.847).

Dos 4.851.887 eleitores aptos a votar na cidade do Rio, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 1.590.876 não compareceram às urnas. Entre os que foram a uma seção eleitoral, 413.962 optaram por anular e 213.138 apertaram a tecla do voto em branco.

A pandemia do novo coronavírus ajuda a explicar parte da alta abstenção, mas não é o único motivo. Agora, Eduardo Paes e Marcelo Crivella terão duas semanas para entender o que levou 2.217.976 eleitores cariocas a não escolher lado algum, entre abstenções e votos brancos e nulos, e para convencer grande parte deste grupo a depositar confiança em um ou outro.

A julgar pelas declarações dadas neste domingo, as próximas duas semanas de campanha serão de “fogo no parquinho”. Antes mesmo de a apuração confirmar quem estaria no segundo turno, os candidatos do DEM e do Republicanos já trocavam farpas. “O presidente mora em Brasília e veio ao Rio para votar no Crivella. Tenho muita confiança no meu trabalho e na minha luta. Não foi ideal porque peguei a prefeitura com muitas dívidas”, afirmou Crivella após votar, às 8h50, na Barra da Tijuca, sem perder a chance de se apresentar como o escolhido de Jair Bolsonaro (sem partido) e de colocar na conta de Paes, que o antecedeu no cargo, as dificuldades enfrentadas na sua gestão.

Paes, que foi prefeito do Rio por dois mandatos seguidos (de 2009 a 2016), chegou às 10h30 para votar, na Gávea, e também aproveitou para alfinetar o seu sucessor ao falar com a imprensa: “O Rio não pode mais arriscar, não pode mais errar. Infelizmente, a cidade escolheu um prefeito nos últimos anos que destruiu a nossa cidade. Peço que a população não arrisque mais, que a gente não permita que pessoas despreparadas ou farsantes governem a nossa cidade”.