Entre tragédias e comédias, todos os caminhos levam a Shakespeare

Susana Schild
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Com data provável de nascimento a 23 de abril de 1564 e morte no mesmo 23 de abril de 1616 em Stratford-upon-Avon, já se disse quase tudo (sim, sempre haverá algo mais a dizer) sobre Willliam Shakespeare, até mesmo que não existiu. Fonte inesgotável de inspiração para estudiosos, dramaturgos e artistas, um fato parece incontestável: o de que continua o autor recordista em adaptações para as telas. O site IMDB (Internet Movie Database) indica 1.588 títulos, dos quais, “apenas” 158 têm como origem a trágica história de “Romeu e Julieta”. Para celebrar um dos maiores autores de todos os tempos, uma seleção de títulos em streaming baseados em sua obra.

‘Amor Sublime Amor'

Em aclamado musical vencedor de dez Oscars, Romeu e Julieta, ou melhor Tony (Richard Beymer) e Maria (Natalie Wood) representam gangues rivais da periferia nova-iorquina em “West Side story” (1961). Em time de primeira, o coreógrafo Jerome Robbins assina a codireção com Robert Wise a partir de composições inspiradíssimas de Leonard Bernstein. You Tube.

‘Romeu + Julieta’

Leonardo Di Caprio e Claire Danes revivem o célebre par em cenário de praia (Verona Beach) em tempos contemporâneos, no filme de 1996. O agitado cineasta australiano Baz Luhrmann preservou diálogos e nomes originais. Pelo frescor e inocência, Claire Danes brilha. Telecine.

‘Romeu e Julieta’

Com reconstituição de época primorosa de Franco Zeffirelli (1968), a tragédia dos jovens apaixonados ganhava uma vitalidade celebrada pela atuação e espontaneidade dos então estreantes Olivia Hussey e Leonard Whiting. Levou Oscar de fotografia e figurinos. You Tube.

‘Muito barulho por nada’

Comédia solar, vilas sicilianas, paixões promissoras, intrigas amenas recheiam uma das muitas tramas dirigidas por Kenneth Branagh (1993), aplicado discípulo do bardo. Ele está no elenco, ao lado de sua então mulher Emma Thompson, Keanu Reeves, Denzel Washington. Netflix, Apple TV, Google Play, You Tube.

‘Hamlet’

Em sua saga shakespeariana, Kenneth Branagh realiza mais uma epopeia com “Hamlet” (1996), que dirigiu, adaptou e interpretou. Como o conflituado Príncipe da Dinamarca, Branagh impõe fortes contrastes à sua atuação. No poderoso elenco, destacam-se ainda Julie Christie, Judi Dench, Gérard Depardieu, Jack Lemmon. Como a casta e sofrida Ofélia, Kate Winslet. HBO.

‘Macbeth: Ambição e Guerra’

General honrado é brindado com profecia tentadora de que um dia será rei. Mordido pela perspectiva e insuflado pela ambiciosa mulher, Macbeth decide “ajudar” as feiticeiras, matando o rei e assumindo o trono, em uma das tragédias mais emblemáticas de Shakespeare. Dirigido por Justin Kurzel (2015), Michael Fassbender, no papel-título, está arrasador, ao lado de Lady Marion Cotillard. You Tube.

‘Trono Machado de Sangue’

A tragédia de “Macbeth” transportada para o Japão medieval oferece um cenário perfeito para a célebre obra, em vigorosa e eletrizante adaptação de Akira Kurosawa (1957), que também adaptou “Rei Lear”, em “Ran’” (infelizmente, não disponível em streaming). No papel-título, Toshiro Mifune não deixa pedra sobre pedra em sua escalada ao poder. Belas Artes à la Carte.

‘César deve morrer’

O palco para montar a peça “Julio César” se encontra em espaços mínimos de um presídio italiano. Intérpretes: os próprios detentos. O resultado é admirável, em transposição de impacto assinada pelos irmãos Taviani. De 2012, levou o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim. Apple TV.

‘Sonho de uma noite de verão’

De acordo com o humor do autor, supõe-se, conflitos familiares e amorosos podem gerar tragédias ou serem amenizadas com a incorporação de elementos fantásticos, como fadas, elfos e duendes. Este é o caso deste drama ligeiro com toques de humor dirigido por Michael Hoffman (1999), que traz Kevin Kline e Michelle Pfeiffer e foi rebatizado como “Sonhos eróticos numa noite de verão.” Prime Video.

‘O mercador de Veneza’

Rede de intrigas entrelaça apaixonados, como Antônio (Jeremy Irons), que, mal de finanças, recorre a agiota para empréstimo. O custo é alto: se não devolver a quantia, deverá pagar com a própria carne. Pelo retrato de Shylock, o agiota (Al Pacino), a peça continua a questionar uma possível postura antissemita do autor. Requintada reconstituição de época e fortes atuações, sob direção de Michael Radford (2004). Looke.

‘Shakespeare Apaixonado’

Criadores em crise criativa, relaxem. Até o bardo padeceu deste problema. Salvação: mocinha bonita. O amor brotou e a inspiração veio a reboque (ou o contrário?). Fato: filme “fofo” de John Madden (1998) sobre o autor, conquistou público, crítica e sete Oscars. Now, Looke, Apple TV.