Entregador baleado e mantido sob custódia em hospital recebe alta e vai para casa após decisão da Justiça

Entregador que foi baleado em uma operação da Polícia Militar em Benfica, na Zona Norte do Rio, e mantido sob custódia em uma unidade de saúde, recebeu alta na tarde desta quinta-feira. Marlon Anderson Cândido, de 23 anos, afirma que o que fizeram com ele foi “uma injustiça” e alega nunca ter pegado numa arma. Segundo a PM, ele estaria envolvido no ataque à equipe da corporação que atuava na comunidade. Ele foi preso em flagrante e mantido sob custódia no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, desde segunda-feira. Marlon precisou passar por cirurgia, já que a bala entrou pelo glúteo e saiu pela virilha.

— Foi uma injustiça. Eu não sei nem dar tiro, nunca peguei numa arma. Como que vou dar tiro na polícia? Não tem lógica. Eu quero justiça. A justiça vai ser feita. Isso é só o começo — disse Marlon ao deixar a unidade de saúde.

Desde segunda-feira, moradores da favela do Mandela protestam por Marlon ter sido baleado e preso. Segundo a família, no momento em que foi atingido, o jovem ia ao trabalho. Na tarde de ontem, no entanto, a Justiça determinou o relaxamento de sua prisão, e o rapaz responderá em liberdade. A decisão é do juiz do Bruno Rodrigues Pinto, que teve apoio da Defensoria Pública.

— Graças a Deus ele tinha uma comunidade, família e amigos por ele. Fizemos um protesto pacífico e deu certo. Ele é inocente e estava muito abalado com tudo isso. Quando soube que conseguiu a liberdade, ficou muito feliz, ele é trabalhador. Agora, estamos até planejando uma festa de aniversário para ele, no dia 23 — conta a prima, Amanda Cândido.

Ainda segundo a prima, Marlon nunca teve envolvimento com o crime:

— Ele pegava no depósito de águas às 15h e foi atingido no caminho. Deram um tiro nele e disseram que ele trocava tiros com os policiais, mas não é verdade. Ele nunca teve envolvimento com nada disso.