Entrevista: ‘A solução para o Brasil não está nas pautas identitárias’, diz João Campos

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RIO - Filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), vítima de acidente aéreo em 2014 durante a campanha presidencial, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), alinhava-se até poucos meses atrás com uma ala do PSB que buscava alternativas ao PT e ao presidente Jair Bolsonaro em 2022. Em entrevista ao GLOBO, ele detalhou a reaproximação com o ex-presidente Lula, de quem o pai foi ministro, dentro da busca por ampla unidade contra Bolsonaro. Ele avalia que há fatores imprevisíveis na eleição, mesmo diante do favoritismo conferido pelas pesquisas ao petista, o que torna crucial para a esquerda evitar desgastes na pauta de costumes. Campos comenta também como estão suas relações com a prima e ex-rival na disputa à prefeitura do Recife em 2020, a deputada federal Marília Arraes (PT).

Pesquisas recentes mostram Lula num patamar de intenções de voto que lhe daria, hoje, vitória em primeiro turno. O senhor acredita nessa possibilidade?

Não, acho que se desenha uma eleição de dois turnos. As pesquisas apontam que há, sim, favoritismo de Lula, mas eleição é como uma partida de futebol: ela só acaba quando termina. Faltam nove meses para a disputa. Parece pouco, mas na política isso é muito. Podem chegar ao segundo turno duas pessoas com voto expressivo e, ao mesmo tempo, rejeição muito alta. Isso torna tudo imprevisível.

Como a esquerda deve lidar em 2022 com o debate sobre pauta de costumes, que será explorado por Bolsonaro?

Os problemas e as soluções do Brasil não estão nessas pautas puramente identitárias ou ideológicas. O que a gente precisa é tirar o debate desse campo. Quando Bolsonaro quiser levar para esse lado, não temos que gastar energia. Deixa ele falar. Bolsonaro é bom de polêmica e confusão, mas não de política pública. Temos que falar de segurança pública e mobilidade urbana, por exemplo. Na educação, o problema não está nesse debate ideológico que gera likes. Temos 63% das crianças fora de creches, um volume grande de jovens abandonando a escola na pandemia. Nem a esquerda nem a direita podem desvirtuar esse debate. Externei essa preocupação a Lula.

Depois da campanha hostil de 2020 contra a sua prima Marília Arraes, as relações entre vocês seguem rompidas?

De fato, não temos relação pessoal. A situação não é intransponível. Acho que na vida a gente tem que não negar o passado, aprender e saber olhar para a frente. O povo do Recife me escolheu para ser prefeito e agora tenho que cuidar da cidade.

Na entrevista completa, só para assinantes, Campos avalia o tamanho do antipetismo no país, a possível aliança para Alckmin ser vice de Lula e chance de diálogo entre o petista e Ciro Gomes.

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