Enviado da ONU para a Síria pede que passagem fronteiriça permaneça aberta

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Colunas de fumaça após relatos de bombardeio por forças do governo na cidade de Barah, no noroeste da Síria, na região de Jabal al-Zawiya da província de Idlib, controlada pelos rebeldes, em 21 de junho de 2021

O enviado da ONU para a Síria, Geir Pedersen, somou-se na sexta-feira (25) aos apelos para manter aberta a única passagem de fronteira por onde chega ajuda humanitária na região insurgente de Idlib, uma medida negada por Moscou.

Além de ser o único ponto onde a ajuda pode chegar a cerca de três milhões de pessoas, o destino da travessia da fronteira é visto como uma prova da nova relação entre a Rússia e os Estados Unidos sob a liderança do presidente Joe Biden.

Seu fechamento está programado para 10 de julho e, para mantê-la aberta, será necessária a votação da ONU.

Mas a Rússia, aliada do presidente sírio Bashar al Assad e que deixou clara sua oposição justificando que ameaça a soberania síria, pode usar seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para bloqueá-la.

“Civis em todo o país precisam desesperadamente de assistência para salvar vidas e ajudar a criar resiliência. Manter e expandir o acesso, incluindo operações transfronteiriças, é absolutamente vital”, disse Pedersen ao Conselho de Segurança.

“Uma resposta transfronteiriça em grande escala é essencial por mais 12 meses para salvar vidas”, disse ele.

Em vigor desde 2014, a autorização transfronteiriça foi reduzida drasticamente no ano passado a um único ponto de entrada, em Bab al Hawa (noroeste), através da Turquia. Mas caduca no próximo 10 de julho.

Desde o início da guerra, em 2011, Moscou, que considera que a deterioração da situação humanitária se deve às sanções ocidentais, já que ocorreu 16 vezes seu veto sobre o expediente sírio e dez vezes sobre a China.

No ano passado, Moscou aplicou uma redução drástica no número de pontos de travessia, de quatro ao que mantém em Bab al Hawa, na fronteira turca.

Os países encarregados do tema na ONU, Irlanda e Noruega, membros não permanentes do Conselho de Segurança, entregaram nesta sexta-feira um projeto de resolução aos seus 13 sócios do grupo, ao qual a AFP também teve acesso.

Levando em conta o aumento das necessidades humanitárias no noroeste e no nordeste da Síria, pedem a manutenção durante um ano de abertura de Bab al Hawa, útil para servir à região insurgente de Idleb, e a reabertura também durante um ano do ponto de acesso de Al Yaruniyah, que fornece energia do Iraque ao nordeste da Síria.

Os Estados Unidos, a França e o Reino Unido também podem exigir a reabertura da passagem de fronteira de Bab al Salam, que foi uma das fechadas no ano passado, afirmaram diplomatas.

Em um comunicado difundido na sexta-feira, Diana Semaan, da ONG Anistia Internacional, destacou que deter a ajuda transfronteiriça teria "consequências humanitárias catastróficas".

"Pedimos ao Conselho de Segurança que volte a autorizar o acesso humanitário através de Bab al Hawa e a reabertura dos pontos de travessia de Bab al Salam e al Yarubiyah", acrescentou.

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