Enviado da ONU ao Iêmen pede 'avanços substanciais' às partes em conflito

Membros das forças do governo iemenita na cidade de Hodeida, em 29 de dezembro de 2018.

O enviado da ONU ao Iêmen, Martin Griffiths, pediu nesta quarta-feira às partes em conflito "avanços substanciais" em favor dos esforços de paz, antes da realização de novas negociações sobre o fim da guerra.

Ao se dirigir ao Conselho de Segurança por teleconferência, Griffiths se declarou "esperançoso" de que as negociações sobre o acompanhamento do cessar-fogo obtido no mês passado possam ocorrer "em um futuro próximo".

"Mais de 24 milhões de pessoas seguem precisando de ajuda humanitária, o que representa 80% da população (...), e 10 milhões estão no limiar da fome", recordou o vice-secretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, o britânico Mark Lowcock.

Até o momento não há data ou local para a nova rodada de negociações, que segundo o emissário "poderão ocorrer em um futuro próximo", mas serão necessários alguns progressos para que não se torne um debate inútil.

Kuwait e Jordânia, onde Griffiths tem sua base, desejam sediar as novas discussões.

Em 13 de dezembro passado, a ONU obteve alguns progressos, após oito dias de conversações na Suécia entre o governo do presidente iemenita, Abd Rabo Mansur Hadi, apoiados por Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e os rebeldes huthis, aliados ao Irã.

As conversações permitiram uma trégua que entrou em vigor no dia 18 de dezembro em Hodeida, com a decisão da retirar os combatentes da cidade e do porto, chave para a entrada de ajuda humanitária e as importações do país.

"As duas partes respeitam o cessar-fogo e houve uma queda significativa nas hostilidades", assinalou o emissário da ONU.

Segundo Lowcock, "os civis têm um pouco mais de confiança e menos medo dos ataques aéreos".

O conflito no Iêmen é considerado a pior crise humanitária no mundo na atualidade, com até 20 milhões de pessoas em "situação de insegurança alimentar", segundo a ONU.

A guerra já matou ao menos 10 mil pessoas no Iêmen desde março de 2015.