Procurador-geral dos EUA ameaça deixar cargo por conta de pressões de Trump

Washington, 20 abr (EFE).- O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, comunicou a Casa Branca que terá que deixar seu cargo se o presidente, Donald Trump, decide demitir seu "número dois", Rod Rosenstein, principal responsável no governo pela investigação sobre a trama russa, segundo publicou nesta sexta-feira o jornal "The Washington Post".

De acordo com a matéria, que cita fontes familiarizadas com o assunto, Sessions comunicou sua posição ao advogado da Casa Branca, Don McGahn, no último final de semana.

A conversa de Sessions com McGahn aconteceu justamente quando Trump estava avaliando a ideia de despedir Rosenstein, responsável por aprovar os registros dos escritórios e quarto de hotel de Michael Cohen, o advogado pessoal do presidente.

Rosenstein decidiu, em maio de 2017, criar a figura do promotor especial e elegeu para esse cargo Robert Mueller, com a missão de investigar o grau da interferência russa nas eleições de 2016, credenciada pelas agências de inteligência dos EUA, e se houve coordenação com a campanha de Trump.

Apesar de liderar o Departamento de Justiça, Sessions não pôde escolher o promotor especial, porque ele se conteve da investigação russa, algo que Trump considerou uma traição.

Trump há meses criticando Sessions, o chamando de "frágil", e também avaliou acabar com a "caça às bruxas" que considera a investigação russa, mediante as demissões de Mueller e Rosenstein, algo que para a oposição democrata seria um ataque direto à democracia do país.

Segundo alertam os especialistas, se Trump ousar despedir Mueller ou Rosenstein, poderia desencadear uma crise semelhante provocada pelo ex-presidente Richard Nixon, quando no chamado "Massacre de Sábado à Noite" destituiu o promotor especial encarregado de investigar o escândalo "Watergate".

Naquela noite de sábado 20 de outubro de 1973, o então procurador-geral, Elliot Richardson, e seu vice, William Ruckelshaus, se negaram a executar a ordem e renunciaram, o que provocou uma onda de indignação contra Nixon e acelerou a sua saída do poder. EFE