Enxaguantes bucais: por que devemos usar o produto com moderação

Seja para completar a higienização, ou apenas para deixar um bom hálito, o uso de enxaguantes bucais faz parte da rotina diária de muitos brasileiros. No entanto, embora possa parecer que não há riscos ou diferenças entre os modelos, especialistas ouvidos pelo GLOBO explicam que determinadas substâncias presentes em alguns enxaguantes podem fazer mal à saúde, especialmente em casos não indicados. Além disso, todos eles, quando utilizados em excesso, podem promover um desequilíbrio do pH da região, o que é prejudicial.

— Como tudo em excesso, os enxaguantes bucais também não devem ser utilizados além do recomendado. Isso pode causar um desequilíbrio do pH na saliva “matando” as bactérias boas da boca que protegem contra entrada de outros microrganismos que podem causar doenças — explica a cirurgiã-dentista e endodontista da clínica Affetto Odontologia Preventiva e Humanizada, em São Paulo, Lilian Fucuda.

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Sobre o uso, Danielly Moura, cirurgiã-dentista e especialista em implante e prótese pela Universidade Europeia Miguel de Cervantes (UEMC), destaca que ele é indicado apenas após a escovação e o fio dental, como um coadjuvante da limpeza. A frequência recomendada é no máximo duas vezes ao dia.

Porém, além do excesso, os enxaguantes bucais, também chamados de colutórios, podem oferecer outros riscos a depender das substâncias que carregam. Os especialistas explicam que eles estão ligados principalmente àqueles com álcool, que não devem ser utilizados.

— Os enxaguantes com álcool podem descamar a mucosa bucal e causar problemas de úlcera, infecções e mau hálito — explica Danielly.

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Além disso, ela ressalta que, quando o paciente faz uso de medicamentos que causam a xerostomia, conhecida como boca seca, ou tem uma predisposição a apresentar o quadro, esse risco é ainda maior.

O odontologista especialista em periodontia Luciano Moura, dono da clínica Lucmoura odontologia, em São Paulo, destaca que o álcool pode inclusive desencadear doenças graves, o que levou, com o tempo, à redução na oferta do modelo nas farmácias. Entidades de medicina, com base em estudos que indicaram uma ligação entre o modelo com um aumento de câncer de boca e faringe, por exemplo, alertam há anos para o perigo desse uso.

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Enxaguantes como remédio

Há também outros tipos de colutórios que devem ser utilizados somente com orientação médica, explica a professora dos programas de pós-graduação em Odontologia e Patologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Bruna Lavinas.

— Existem, por exemplo, colutórios com clorexidina, que é um antibacteriano. Ele é prescrito por um tempo específico porque pode começar a pigmentar os dentes e descamar as mucosas, além de ser indicado apenas no caso de infecções bacterianas — diz a odontologista.

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Esses modelos, que atuam como medicamentos, não devem ser utilizados mais do que uma vez ao dia e por um período de no máximo 20 dias, alerta Lilian.

— Por isso, o uso do enxaguante deveria ser utilizado apenas por recomendação pelo dentista, porque todos eles alteram de alguma forma a condição bucal. Em alguns casos de saúde são necessários, mas ninguém deveria comprar sem orientação profissional — defende Moura.

Os especialistas fazem ainda um outro alerta: os enxaguantes não substituem, de maneira nenhuma, a escovação e o fio dental e devem ser utilizados apenas a partir dos seis anos de idade.

— Existem os colutórios infantis, mas que devem ser usados apenas quando prescritos pelos cirurgiões dentistas em casos de necessidade — afirma Bruna.

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