Fórum da Água é encerrado com "pedido urgente" de compromisso com preservação

Eduardo Davis

Brasília, 23 mar (EFE).- O Fórum Mundial da Água, que reuniu delegações oficiais e empresas de 150 países em Brasília, terminou nesta sexta-feira, após quatro dias de debates sobre a grave situação em torno de um recurso ao qual dois milhões milhões de pessoas quase não têm acesso.

O evento trienal, organizado pelo Conselho Mundial da Água, foi iniciado na segunda-feira passada e deixou como resultado cinco documentos que reúnem os debates entre ministros, autoridades de poderes judiciários, parlamentares e prefeitos, além de um focado na sustentabilidade.

Em resumo, as cinco declarações pressionam os governos a zelar pela preservação de um recurso que está ameaçado por diversos fatores, que vão desde o impacto da mudança climática até o mau gerenciamento, a corrupção, as deficiências nas infraestruturas e o desperdício.

O brasileiro Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água, ressaltou que "nenhuma dessas declarações é vinculativa nem impõe obrigações", mas considerou que contêm "um compromisso real com a preservação e a boa gestão da água" que será revisado durante a próxima edição, que será realizada em Dacar em 2021.

A declaração ministerial fez "um pedido urgente para uma ação decisiva" e uma maior cooperação internacional para alcançar a meta de acesso universal à água e ao saneamento básico que a ONU estabeleceu entre os objetivos da Agenda 2030.

A parlamentar, redigida por 120 legisladores de 134 países, pede uma maior troca de experiências e que os parlamentos do mundo incluam a água como "assunto central" em suas legislações, que deverão "contemplar necessariamente a proteção do meio ambiente".

No caso dos prefeitos, a declaração coincide em todos esses pontos, mas acrescenta que os governos municipais requerem maior apoio orçamentário para impulsionar políticas que permitam "soluções adequadas" a favor da água.

O documento redigido pelos juízes de 56 países que compareceram ao fórum reforça a condição de direito humano e bem público que as Nações Unidas conferiram à água e exige que os poderes judiciários a contemple em casos de conflitos vinculados a esse recurso.

A quinta declaração contém o resultado de mais de 600 debates e 300 conferências realizadas desde segunda-feira passada e é basicamente um pedido para que sejam adotadas medidas que garantam o cuidado da água, a preservação e a distribuição, assim como um saneamento adequado, que impeça o desperdício do recurso.

Durante os quatro primeiros dias, no Fórum Mundial foram apresentados diversos estudos de órgãos internacionais sobre o impacto que a escassez de água tem nos mais diversos âmbitos.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou sobre a forma em que a falta de água intensifica as migrações do campo para as cidades e ressaltou a necessidade de garantir esse recurso para a produção de alimentos, que também podem entrar em escassez durante este século.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou no fórum o seu relatório anual sobre a situação hídrica do planeta e apontou que dois bilhões de pessoas no mundo carecem de um acesso adequado à água.

Também lamentou que as crianças dos países mais pobres tenham que dedicar "200 milhões de horas" para buscar em poços e rios a água que não chega às suas casas e pediu aos governos que incluam esse tema no "centro das suas prioridades" e adotem uma "infraestrutura verde".

O fórum realizado em Brasília também teve um espaço dedicado à cidadania, no qual foram promovidas boas práticas para impedir um maior desperdício da água, cuja escassez pode até gerar conflitos num futuro próximo, segundo a Unesco.

Nesse espaço, a água foi tratada de forma lúdica e até se converteu em teatro, com uma peça de conteúdo ambiental apresentada por crianças e baseada no livro "Os Rios Voadores", da jornalista e ecologista espanhola Yana Marull. EFE