Epidemia de gripe desacelera no Rio de Janeiro após quase 1 mês de alta

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.03.2020 - Still de mão segurando uma seringa para aplicação de vacina. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.03.2020 - Still de mão segurando uma seringa para aplicação de vacina. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Depois de quase um mês de alta, a epidemia de gripe deu sinais de queda na última semana no Rio de Janeiro. Os atendimentos diminuíram tanto na rede estadual como na municipal, apesar de continuarem muito acima do normal, segundo dados das secretarias de Saúde.

A média diária de adultos e crianças com síndrome gripal recuou 23% nas unidades de pronto atendimento (UPAs) do estado, na comparação com a primeira e a segunda semana de dezembro. O número caiu de 5.112 para 4.094 --em meados de novembro, era 167.

Na rede municipal, a redução foi de 16% nas unidades de urgência e emergência entre as semanas retrasada e passada, passando de 2.071 para 1.727 por dia. Todos os que tiveram indicação clínica fizeram teste de Covid, com menos de 1% de resultados positivos.

O Rio vive uma explosão de infecções pela influenza H3N2 desde o final de novembro, com uma variante que escapa à vacina aplicada no começo de 2021. O vírus se espalhou para diversos estados, como São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Rondônia. Os números do país, porém, ainda são incertos por causa da instabilidade no sistema de notificação do SUS.

"Hoje a epidemia já é nacional. Estourou em todos os lugares. Nem precisa fazer conta. Os casos em dezembro já indicam isso, apesar de haver secretarias negando. É preciso orientar a população", afirma o epidemiologista Paulo Lotufo, professor titular da Faculdade de Medicina da USP.

O banco de dados fluminense, que só inclui casos graves da doença, indica que, mesmo com o apagão de dados, as notificações dispararam. Foram 15 em outubro, 183 em novembro e 254 em dezembro, considerando a data de início dos sintomas.

A grande maioria dos casos, no entanto, não está contabilizada, por envolver sintomas leves, segundo dizem secretarias e médicos. Isso porque o principal responsável pela transmissão é o vírus H3N2, bastante contagioso, mas menos perigoso, e os doentes são predominantemente jovens e adultos.

A secretaria estadual afirma que "o número de óbitos por influenza registrado até o momento não foge do padrão endêmico". Cinco mortes foram causadas pelo vírus neste ano, contra 1 em 2020 e 2 em 2019. Já a H1N1, mais letal, provocou 63 óbitos em 2019, 1 em 2020 e 2 em 2021.

"O número de casos é impressionante. Na última sexta, atendemos mais de mil pessoas em Volta Redonda. É muita coisa", diz o médico sanitarista Carlos Vasconcellos, subsecretário da cidade no sul fluminense e um dos diretores do sindicato de médicos (Sinmed/RJ).

Vasconcellos diz ainda não ter sentido a queda dos atendimentos na ponta. "Não sinto que esteja caindo tanto assim, mas como é um atendimento rápido, ou seja, a pessoa é medicada e pega um atestado, não tensiona tanto a rede. A pressão é mais na entrada, na fila da emergência", afirma.

Para lidar com essa pressão, foram montados os chamados "gripários", espaços separados para receber os doentes.

Ainda não há uma explicação clara para a eclosão dessa epidemia fora de época, em pleno verão. Tudo indica que o vírus H3N2 foi "importado" do hemisfério norte, que entrou na temporada de frio, e pode ter encontrado uma população vulnerável e sem imunidade contra esse patógeno.

Além da baixa imunização, especialistas apontam o relaxamento de medidas restritivas e o fato de o coronavírus ter reinado praticamente sozinho nos últimos dois anos, o que mudou com o avanço da vacinação contra a Covid e fez outros vírus reaparecerem.

"Neste ano, as pessoas não se mobilizaram muito para tomar a vacina contra a gripe, que não dá uma proteção alta, mas confere algum grau de proteção. Também vimos um movimento de reabertura e de abolição de máscaras em setembro no Rio, o que prejudicou", diz o epidemiologista Diego Xavier, da Fiocruz.

O sanitarista Carlos Vasconcellos cita ainda o clima mais ameno do Rio de Janeiro neste ano.

Para Lotufo, da USP, ainda é cedo para saber os motivos do rápido aumento de casos, mas ele diz que algumas características da influenza podem jogar a nosso favor daqui para frente.

"Conhecemos muito mais sobre a gripe do que conhecíamos sobre a Covid. A transmissão da gripe ocorre principalmente durante os sintomas, que são fortes, então a pessoa fica em casa abatida. Também existe um remédio, o Tamiflu ou Oseltamivir", afirma.

"Em 2019, a H1N1 veio para o Brasil no final de junho, SP estendeu férias em agosto e conseguimos segurar. Agora, as escolas já acabaram, o que é muito positivo. Por outro lado, as pessoas estão viajando mais", diz.

As orientações para quem tiver sintomas são usar máscara o tempo todo, inclusive em casa, e avisar familiares ou pessoas com quem teve contato, além de procurar unidades de saúde apenas se necessário, para evitar mais transmissões. Fazer um teste de Covid também é importante para confirmar ou descartar a doença.

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