Epidemia de pesquisas falsas tumultua campanha eleitoral em Jaboticabal

MARCELO TOLEDO
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*ARQUIVO* JABOTICABAL, SP, 15.10.2020 - Campanha do candidato José Giácomo Baccarin (PT) à prefeitura de Jaboticabal. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*ARQUIVO* JABOTICABAL, SP, 15.10.2020 - Campanha do candidato José Giácomo Baccarin (PT) à prefeitura de Jaboticabal. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

JABOTICABAL, SP (FOLHAPRESS) - Em uma pesquisa, o candidato A aparece com 45% das intenções de voto, com seu adversário mais próximo não passando de 20%. Em outra, é o candidato C quem está na frente, com 31%. Os rivais? Novamente, não chegam aos dois dígitos na preferência dos eleitores.

Há ainda uma terceira e quarta pesquisas circulando em Jaboticabal (a 342 km de São Paulo), talvez até mais, cada uma delas com resultados diferentes entre si.

Mas até o último final de semana não havia sido registrada nenhuma pesquisa em Jaboticabal, cidade da região de Ribeirão Preto que está tendo cobertura integral da Folha na campanha eleitoral deste ano.

Os levantamentos que correm redes sociais e aplicativos como o WhatsApp ou são falsos ou correspondem a pesquisas ilegais feitas sem registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em uma delas, por exemplo, teriam sido ouvidas 580 pessoas, com 26% para o líder, 20% (sempre esse percentual) para o segundo colocado, 19% para o terceiro, 12% para o quarto e 7%, para o último.

O surpreendente é que nenhum eleitor disse que votaria em branco ou anularia seu voto, como tradicionalmente ocorre nos levantamentos. Outras 97 pessoas, ou 16%, não responderam.

"Vemos que há candidatos desesperados, é fake o que estão soltando aí, não é possível o que estão fazendo. Nós não divulgamos nenhuma pesquisa", disse o candidato Professor João (DEM).

Não é a primeira vez que ocorre isso na cidade, segundo integrantes de campanhas ouvidos pela Folha, mas o total de supostos levantamentos que têm circulado agora despertaram a atenção dos candidatos.

Membros das campanhas de Professor Emerson (Patriota), Baccarin (PT) e Vitorio de Simoni (MDB) também informaram que não divulgaram pesquisas. No caso de Emerson, a campanha informou que foram feitos levantamentos, mas apenas para consumo interno da coligação.

De acordo com o sistema de registro de pesquisas do TSE, foram registradas, na última quinta-feira (5), duas pesquisas, para serem divulgadas na próxima quarta-feira (11).

Uma iniciou a coleta de dados na própria quinta-feira, enquanto a outra informou no registro que o começo foi sábado (7).

"Entendemos que o eleitor não é mais bobo, está mais esperto, se inteirando mais das questões políticas do município, do estado e do governo federal. Não é qualquer político ou qualquer pesquisa que vai enganar o eleitor. Ele enxerga quando a pesquisa é direcionada, como é o que tem ocorrido em Jaboticabal", disse Marcelo Peres, coordenador da campanha do candidato Marcos Bolsonaro (PSL).

Ele afirmou que não foi feita nenhuma pesquisa pelo partido. "Nem verdadeira, que custa dinheiro, muito menos falsa", afirmou. O candidato, aliás, enfrenta dificuldades na campanha devido ao atraso no envio de materiais, como panfletos, para serem distribuídos aos eleitores.

Conhecida como Athenas Paulista, mas também já chamada de Cidade das Rosas e de Cidade da Música, Jaboticabal tem cobertura completa da Folha durante as eleições municipais deste ano.

Uma campanha parelha, problemas estruturais e a atuação restrita da imprensa profissional são alguns dos ingredientes que tornam interessante a cobertura jornalística nessa cidade de 77 mil habitantes.

Jaboticabal, ao contrário do que já ocorre em outras localidades menores, não tem uma TV (comunitária ou educativa) para a transmissão do horário eleitoral gratuito, o que faz com que a campanha seja diferente das disputas dos grandes centros.

Os candidatos, e a própria dinâmica local, são acompanhados diariamente pelo jornal, assim como ocorre nas eleições em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Além dos ingredientes políticos colocados na disputa deste ano, Jaboticabal foi escolhida pela Folha por ser uma cidade com forte peso educacional, com quatro universidades ou centros universitários, e também se destacar economicamente na agricultura e nas indústrias de alimentação e cerâmica.