Epidemias deixam o Brasil em alerta; entenda o que aconteceu

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Ronaldo Silva/Futura Press

Por Victor Lima

No início de 2017, o Brasil viveu momentos de tensão diante do surgimento de epidemias em diversas regiões de seu território. Já conhecido do povo brasileiro, o mosquito Aedes aegypti foi o principal responsável pela transmissão da dengue e meses depois o vírus zika. Não demorou para que surgisse a chikungunya, pouco conhecida pela medicina moderna.

Apesar de tantas doenças, a febre amarela, transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, foi a que mais preocupou o governo durante o ano.

De acordo com especialistas, fatores como o processo de “favelização” das cidades, onde as pessoas não possuem moradias dignas ou rede de esgoto ideais e acabam armazenando água em toneis e baldes e também o clima úmido e quente do país durante o verão contribuem para o desenvolvimento das larvas dos mosquitos. Relembre o que ocorreu, como essas doenças afetaram o país e como foram controladas pelas autoridades responsáveis:

1. Febre amarela

A febre amarela não tinha casos registrados em centros urbanos fora de zonas silvestres desde 1942. Entre dezembro de 2016 e agosto de 2017, 777 casos foram confirmados e 261 pessoas morreram em decorrência da doença.

O surto teve início em dezembro de 2016 no estado de Minas Gerais e se espalhou por nove estados. O maior índice foi encontrado em território mineiro, onde 465 casos foram confirmados ao lado de outras 152 mortes. O primeiro sinal do retorno da doença foi a morte de centenas de macacos em MG. Segundo especialistas, o vírus circula normalmente entre os animais, mas quando novas gerações que ainda não tiveram contato com ele surgem, ele pode fazer vítimas novamente e se espalhar para humanos.

O governo de Minas decretou situação de emergência por 180 dias em janeiro e relacionou o surto à baixa cobertura vacinal no estado em 2016. Dos 533 municípios com recomendação para a vacina, cerca de 47,4% tinham menos de 50% do necessário para 2016, quando a meta era imunizar 95% dos moradores.

Para combater as transmissões, o Ministério da Saúde enviou aos estados 36,7 milhões de doses da vacina, tanto para a rotina de vacinação como para o reforço nos estados afetados pelo surto. Em 2018, o medicamento será incluso no calendário de vacinação para crianças a partir dos nove meses.

2. Dengue 

Em 2017, o governo federal registrou mais de 219 mil casos de dengue. Apesar do número expressivo, ele é 84.4% inferior ao analisado no mesmo período em 2016. Com relação ao número de óbitos, também houve queda, desta vez de 87%, reduzindo de 678 óbitos em 2016 para 88 neste ano.

De acordo com boletim do Ministério da Saúde, a melhora no cenário de combate à dengue pode ser atribuída a um conjunto de fatores como a mobilização nacional contra as doenças e a maior proteção pessoal da população.

Além disso, a escassez de chuvas em determinadas regiões do país ajudou a diminuir a proliferação do mosquito e também pessoas que já contraíram a doença em anos anteriores já possuem resistência contra ela.

3. Chikungunya

Até o início de setembro, foram registrados quase 172 mil casos prováveis de febre chikungunya, o que representa uma taxa de incidência de 83,4 casos para cada 100 mil habitantes. A redução é de 34,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas mais de 261 mil ocorrências.

Neste ano foram confirmados por especialistas 99 óbitos. Em 2016 foram 204 mortes confirmadas, uma redução de 51,4%. O Nordeste foi a região que apresentou o maior número de casos prováveis (130.910 casos; 76,1%). Em seguida aparecem as regiões Sudeste (22.789 casos; 13,2%), Norte (14.888 casos; 8,6%), Centro-Oeste (3.081 casos; 1,7%) e Sul (262 casos; 0,1%).

4. Zika
Maior temor das mulheres grávidas entre todas as doenças do tipo, o vírus zika afetou mais de 15 mil pessoas ao longo de 2017, uma redução de 92,6% em relação a 2016, quando foram registrados mais de 211 mil casos.

Entre os estados com maior número de ocorrências, destaque para Tocantins (62 casos/100 mil habitantes.), Mato Grosso (59,4 casos/100 mil habitantes.) e Goiás (53,3 casos/100 mil habitantes).

De acordo com o Ministério da Saúde, os dados do Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), auxiliam na identificação de bairros e áreas críticas de criadouros do mosquito. Assim, é possível elaborar estratégias direcionadas a esses setores e reforçar o combate ao inseto

Desde que a relação entre infecções pelo zika e casos de microcefalia foi confirmada, o governo decidiu integrar todos os ministérios na luta contra o mosquito. As ações exigiram investimentos públicos, obrigando o Ministério a reforçar em 83% o orçamento para o combate às doenças. Estima-se que a vigilância da saúde receba até o final de 2017 mais de R$ 1.96 bilhão.