Rebeliões em presídios deixam mais de 60 mortos no Equador

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Pelo menos 62 detentos morreram nesta terça-feira (23) em uma onda de violência desatada simultaneamente em três presídios do Equador, segundo um relatório atualizado da autoridade responsável pelas penitenciárias.

Do total, 33 morreram na cidade de Cuenca (sul), 21 em Guayaquil (sudoeste) e oito e Latacunga (sul).

"Este já é um dado confirmado", disse Edmundo Moncayo, diretor do Serviço Nacional de Atenção a Pessoas Privadas da Liberdade (SNAI).

O balanço anterior era de 50 detentos falecidos nas rebeliões.

A violência atingiu as prisões do porto de Guayaquil e as cidades andinas de Cuenca e Latacunga.

O presidente equatoriano Lenín Moreno atribuiu os motins a "organizações criminosas" que atacam simultaneamente.

As autoridades "estão agindo para retomar o controle das prisões", disse o presidente por meio das redes sociais.

- Crise em curso -

O comandante da polícia, Patricio Carrillo, afirmou inicialmente que se tratava de "rebeliões generalizadas" e que "a situação é crítica" na prisão de Latacunga. As autoridades ativaram um posto de comando unificado para restaurar a ordem.

“Dada a ação orquestrada por organizações criminosas para gerar violência nas prisões do país, conseguimos, a partir das ação do Posto de Comando Unificado e do comando da polícia, retomar o controle”, disse o Ministro de Governo (Interior), Patricio Pazmiño no Twitter.

Em dezembro, vários distúrbios nas prisões equatorianas atribuídos a disputas de poder entre organizações criminosas e do narcotráfico deixaram onze presos mortos e sete feridos.

O sistema prisional abriga cerca de 38.000 pessoas e 1.500 guardas sob sua custódia.

O governo decretou um estado de exceção penitenciária que terminou em dezembro, e que basicamente buscava retomar o controle das prisões.

Somente em 2020 as brigas na prisão deixaram 51 mortos. De janeiro a terça-feira, a Polícia registrou três mortes em confrontos entre presidiários.

O órgão governamental responsável pelas prisões, SNAI, reconheceu a falta de pessoal de segurança, o que "dificulta as ações de resposta imediata" diante das revoltas de prisioneiros.

Na segunda-feira foi realizada uma busca na cadeia de Guayaquil, para a qual o SNAI “presume que esses eventos [os distúrbios] são um sinal de resistência e rejeição dos internos, diante dessas ações de controle”.

Em meio à pandemia de covid-19 e para reduzir a superlotação das prisões, o Equador aplicou no ano passado medidas alternativas para aqueles que cumpriam penas por crimes menores, o que reduziu a superlotação de 42% para 30%.

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