Equador entra em campanha eleitoral "atípica" devido à pandemia

Diego SÁNCHEZ, Paola LÓPEZ
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O candidato presidencial equatoriano Guillermo Lasso lança sua campanha em um parque em Quito, em 31 de dezembro de 2020

O Equador inicia uma campanha "atípica" para as eleições gerais de 7 de fevereiro, marcada pela pandemia.

Com 16 candidatos, começa a disputa para eleger o sucessor do presidente de esquerda Lenín Moreno, de 67 anos, cujo mandato de quatro anos termina no dia 24 de maio.

Centenas de candidatos, incluindo os do enfraquecido partido no poder - desde 2007 - também farão campanha até 4 de fevereiro para a Assembleia Nacional, com 137 assentos.

Diante da pandemia, que deixa mais de 210 mil infectados e 14 mil mortos no Equador, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) autorizou marchas com no máximo 200 pessoas e caravanas com até 50 veículos nas cidades com mais eleitores.

O economista Andrés Arauz, da aliança Unión por la Esperanza (Unes, esquerda), o herdeiro político do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017) e Gustavo Larrea, da Democracia Sí (centro-esquerda), contraíram o vírus.

Cerca de 13,1 milhões dos 17,5 milhões de habitantes são chamados a eleger o substituto de Moreno, que mantém uma forte luta pelo poder com Correa, de quem foi vice-presidente.

- À sombra de Correa -

O Correísmo vai tentar cativar novamente os eleitores sem o seu líder na cédula porque em setembro foi confirmada a sua pena de oito anos de prisão por corrupção, que o deixou inabilitado para cargos públicos.

Correa, que mora na Bélgica e enfrenta uma ordem de prisão, chegou a se inscrever para a vice-presidência junto com Arauz, mas foi substituído pelo jornalista Carlos Rabascall.

Moreno também promoveu um referendo em 2018 que eliminou a reeleição por tempo indeterminado promovida por seu ex-aliado, o único que se opôs a essa iniciativa.

Arauz, de 35 anos, tem 13% das intenções de voto, atrás do ex-banqueiro Guillermo Lasso (CREO, à direita) com 23%. O advogado indígena Yaku Pérez (Pachakutik, à esquerda) tem 11%, segundo a mais recente sondagem cedida por uma empresa privada Cedatos.

O partido governista Alianza País (à esquerda) apresentou Ximena Peña, ex-deputada de 44 anos e única candidata presidencial feminina, que aparece com 1% da intenção de voto, além de os outros doze candidatos.

"Correa será quem impulsionará a campanha de Arauz para o bem ou para o mal", disse o cientista político Santiago Basabe, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), acrescentando que sua imagem "marca o pulso da campanha".

“Quem tem mais vantagem é Lasso, porque faz campanha há oito anos”, disse à AFP Pablo Romero, especialista em comunicação estratégica da Universidade Politécnica Salesiana.

Lasso, 65 anos, está concorrendo à presidência pela terceira vez.

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