Equador envia soldados para províncias tomadas por narcotraficantes e criminosos

Soldados patrulham Cerro Las Cabras, município de Durán, na província equatoriana de Guayas, onde vigora um estado de emergência para combater o crime organizado (AFP/Marcos Pin) (Marcos Pin)

Uma força de 9.000 soldados e policiais assumiu o controle de três províncias equatorianas afetadas pelo narcotráfico e pelo crime, que deixaram mais de 1.200 mortos desde o início do ano e levaram o governo a decretar estado de exceção na sexta-feira.

A medida de emergência de 60 dias, prevista para as províncias costeiras de Guayas, Manabí e Esmeraldas (esta última na fronteira com a Colômbia), inclui um toque de recolher noturno para as áreas de maior violência em cidades como o porto de Guayaquil, centro comercial do país.

Em sua guerra declarada ao narcotráfico, o presidente conservador Guillermo Lasso, que está no poder há 11 meses, decretou mais uma vez o estado de exceção, alegando uma grave comoção interna devido à insegurança.

A criminalidade no Equador cresceu com o avanço do narcotráfico, com 1.255 mortos - incluindo pessoas decapitadas e mutiladas - no primeiro quadrimestre do ano, contra 2.500 em todo o ano de 2021 e 1.400 em 2020, segundo dados oficiais.

Quase 440 crimes ocorreram em Guayaqui, a capital de Guayas, e na cidade vizinha de Durán, as mais inseguras. E 60% de todos os homicídios ocorreram nas três províncias que agora são patrulhadas pelos militares.

- Com fuzil na mão -

Armados com fuzis, centenas de homens uniformizados começaram imediatamente a realizar controles em pontos como o Cerro Las Cabras de Durán.

"Acho que a população se sente segura, porque a presença dos militares, da polícia nos dá um pouco mais de segurança", disse à AFP Diego Cuenca, morador de Durán, onde dois corpos suspensos foram encontrados em fevereiro, ao estilo dos crimes dos cartéis mexicanos.

Esta cidade com mais de 300.000 habitantes é considerada um 'armazém de drogas' e onde o microtráfico, segundo as autoridades, movimenta até 1,8 milhão de dólares por mês.

Com fronteira com a Colômbia e o Peru, os maiores produtores de cocaína do mundo, o Equador serve como ponto de saída para grandes carregamentos de drogas principalmente através de Guayaquil, o maior porto, por onde ela é exportada principalmente para os Estados Unidos e a Europa.

Em 2021, o país apreendeu um recorde anual de 210 toneladas de drogas, principalmente cocaína. Até agora, em 2022, as operações alcançam 75 toneladas.

“Nossa sociedade não será submetida, nossa paz nunca será sacrificada pelos negócios sujos de ninguém”, disse Lasso ao anunciar o estado de exceção.

"Vamos levar o combate aos criminosos para o mesmo território onde tentam se esconder, eles e suas mercadorias sujas".

sp-str/ll/ap

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos