Equador: indígenas dizem ser "gente pacífica", mas governo afirma que protestos ameaçam democracia

O nono dia de protestos de indígenas do Equador para reivindicar uma redução nos preços dos combustíveis, entre outras medidas, começou com uma advertência das autoridades contra os opositores. Nesta terça-feira (21), o ministro da Defesa equatoriano, Luis Lara, endureceu o tom contra os manifestantes, afirmando que o bloqueio de estradas e passeatas organizadas pela Confederação das Nacionalidades Indígenas (Conaie) "colocam em risco a democracia" no país.

Milhares de indígenas chegaram a Quito na segunda-feira (20), com o objetivo de intensificar a pressão sobre o governo conservador do presidente Gillermo Lasso. Após confrontos entre indígenas e a polícia, que deixaram dezenas de agentes feridos e algumas pessoas detidas, Lasso ampliou o estado de exceção de três para seis províncias do país.

Nesta terça, o ministro da Defesa Luis Lara fez um pronunciamento ao lado dos chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, criticando os distúrbios. "A democracia do Equador está em sério risco, devido à ação coordenada de pessoas exaltadas que impedem a livre circulação da maioria dos equatorianos", disse Lara, na sede do ministério da Defesa, na capital. "As Forças Armadas não permitirão qualquer tentativa de rompimento da ordem constitucional ou qualquer ação contra a democracia e as leis da República", acrescentou.

Ontem, o presidente Lasso disse que estava atendendo às exigências da população, consideradas legítimas, segundo ele, mas discordou da violência dos manifestantes e das novas ameaças de ataque a Quito.

Para iniciar um diálogo com as autoridades, os indígenas, que representam mais de um milhão dos 17,7 milhões de habitantes do Equador, exigem que o governo atenda a uma lista de dez reivindicações.


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