Equador mantém veto a voos de países, como o Brasil, com alto contágio de COVID-19

Funcionários de saúde checam a temperatura de passageiros no desembarque do aeroporto internacional Marechal Sucre, em Quito, 1º de março de 2020, para controle da pandemia do novo coronavírus

O Equador, que retomará voos locais e alguns internacionais em 1º de junho, vai manter a proibição de entrada no país a pessoas procedentes de países com alto contágio do novo coronavírus, anunciou nesta quarta-feira (27) a ministra do Governo (Interior), María Paula Romo.

"Mantém-se a faculdade de suspender, de interromper, de não permitir os voos de países onde os contágios estejam em fase de crescimento, em uma fase de contágio comunitário, em um momento de contágio muito alto que seria, por exemplo, o caso do Brasil", acrescentou Romo em coletiva de imprensa.

Ela disse, ainda, que os voos procedentes do Brasil estarão proibidos "durante os primeiros 15 dias do mês de junho". O Brasil superou nesta quarta-feira os 400.000 casos de contágio de COVID-19 e os 25.000 mortos.

Romo acrescentou que, "dependendo de como evoluam os casos em diferentes países, se poderá tomar a decisão de não permitir voos de determinados locais".

Embora as autoridades tenham autorizado a reabertura dos aeroportos para voos comerciais em 1º de junho, o terminal aéreo de Guayaquil - epicentro da pandemia no Equador - retomará suas operações em 15 de junho, quando terminar o estado de exceção decretado pelo governo.

Diante da dificuldade de acesso em outros países a testes PCR, o Equador flexibilizou a medida de exigir exame dos visitantes.

"Não queremos ter um requisito impossível de cumprir", disse Romo, acrescentando que quem chegar do exterior deverá cumprir o isolamento obrigatório.

Desde meados de março, quando foi imposto o estado de emergência no país, o Equador, com 17,5 milhões de habitantes, suspendeu os voos comerciais e fechou todas as fronteiras para conter o avanço do novo coronavírus, que totaliza 38.100 casos, incluindo mais de 3.200 mortos.

As autoridades também reportam outros 2.144 falecidos prováveis pela COVID-19.

O governo do presidente Lenín Moreno suspendeu o trabalho presencial e as aulas para promover o confinamento da população. Também impôs toque de recolher, que passará de 15 a 11 horas a partir de 1º de junho.

O Equador iniciou há duas semanas a desescalar o confinamento, aplicando um sistema por semáforo que, segundo a cor, permite retomar atividades produtivas e reduz até cinco horas a proibição de livre circulação quando estiver em verde (baixo risco).