Equador: : perfil do país que é colcha de retalhos étnica e possui variedade natural em abundância

Quito
A Plaza Grande de Quito, capital do Equador, considerada patrimônio universal da Unesco

Com um rico passado colonial e indígena, o Equador é uma colcha de retalhos de identidades étnicas. O país exibe ainda uma impressionante variedade natural, que inclui uma costa de mais de dois mil e duzentos quilômetros e seu território abriga parte dos Andes e da Amazônia, em uma área aproximadamente do tamanho do Rio Grande do Sul. Além disso, o país possui o arquipélago das Galápagos, ilhas vulcânicas cuja rica e exclusiva fauna serviu de base para Charles Darwin elaborar sua teoria da evolução.

A história do país remonta a pelo menos 11 mil anos atrás, quando o território equatoriano era habitado por grupos indígenas organizados em clãs, que interagiam entre si. Entre as mais antigas culturas deste período formativo está a cultura Las Vegas, que existia na península de Santa Elena entre os anos 9 mil e 6 mil antes da era cristã. Ao longo dos milênios seguintes, novas culturas foram surgindo, baseadas na agricultura e fazendo uso da cerâmica.

No início do século 16, essas civilizações caíram sob o jugo do império Inca, o maior da América pré-colombiana. O imperador Huayna Capac fez de Quito a capital secundária do império, mas logo toda a civilização inca seria subjugada à coroa espanhola. Em 1822, o Equador se tornou independente como parte da Grã-Colômbia nas guerras de libertação lideradas por Simón Bolívar.

Tradicionalmente um país agrícola, a economia do Equador foi transformada a partir dos anos 1960 pelo desenvolvimento da indústria e a descoberta do petróleo. A economia cresceu rapidamente e houve progresso na saúde, educação e habitação.

Nos anos 1970, o país esteve sob regimes autoritários, incluindo um regime militar apoiado pelos Estados Unidos sob o pretexto de conter o avanço do comunismo e da influência cubana no país. O país vivenciou altas taxas de crescimento com grandes níveis de endividamento. A crise da dívida e a queda dos preços do petróleo nos anos 1980 afundaram a economia do país.

Os ex-presidentes do Equador, Rafael Correa (D), e da Venezuela, Hugo Chávez (E)
O ex-presidente do Equador, Rafael Correa (D), foi um dos exponentes da onda esquerdista no início do século 21 na América Latina, junto com Hugo Chávez da Venezuela

A partir do fim dos anos 1990, o Equador enfrentou uma grave crise econômica complicada por medidas neoliberais, que resultaram em crises políticas. Dois presidentes foram destituídos entre 1997 e 2000, quando um golpe de Estado catapultou um coronel aposentado, Lucio Gutiérrez, aos olhos do mundo. Gutiérrez foi eleito em 2002, mas caiu três anos depois após tentar dissolver o Supremo Tribunal e perder o apoio das forças armadas.

Em 2007, Rafael Correa assumiu como presidente do Equador. Ao lado do venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales, Correa liderou a onda mais radical de esquerda que se espalhou pelos países andinos nessa época. Beneficiando-se do boom das commodities, Correa adotou uma série de medidas de cunho social e incorporou o apoio das principais entidades indígenas - que desde os anos 1990 vinham se tornando uma importante força política no país.

Após três mandatos consecutivos, Correa passou a faixa ao ex-vice-presidente Lenin Moreno, que logo se distanciou do seu ex-mentor político, adotou políticas vistas como neoliberais e se aproximou dos Estados Unidos. Em 2019, essas medidas levaram a uma série de protestos que obrigaram o governo a mudar temporariamente a sua sede de Quito à cidade costeira de Guayaquil.

Em maio de 2021, o banqueiro Guilherme Lasso se tornou o primeiro líder de direita no Equador em 14 anos.

FATOS

República do Equador. Capital: Quito  [ População 16,5 milhões ],[ Área 272 mil quilômetros quadrados ],[ Principal língua Espanhol (oficial) e outras 14 línguas ancestrais, como quéchua e shuar ],[ Principal religião Cristianismo ],[ Expectativa de vida (2020): 77 anos (80 para mulheres e 75 para homens) ],[ Moeda Dólar americano ], Source: Fonte: ONU, Banco Mundial, Image: População indígena no Equador
República do Equador. Capital: Quito [ População 16,5 milhões ],[ Área 272 mil quilômetros quadrados ],[ Principal língua Espanhol (oficial) e outras 14 línguas ancestrais, como quéchua e shuar ],[ Principal religião Cristianismo ],[ Expectativa de vida (2020): 77 anos (80 para mulheres e 75 para homens) ],[ Moeda Dólar americano ], Source: Fonte: ONU, Banco Mundial, Image: População indígena no Equador

LÍDER

President: Guillermo Lasso

Guillermo Lasso
Guillermo Lasso

Derrotado nas eleições de 2013 e 2017, Lasso venceu por uma estreita margem o socialista Andrés Arauz, apoiado pelo ex-presidente Correa, que vive em exílio na Bélgica.

Entre suas medidas após tomar posse, em 2021, Lasso tem anunciado um amplo programa de privatizações que inclui a empresa pública de telecomunicações e o Banco del Pacífico.

A chamada Lei de Criação de Oportunidades (CREO), homônima ao seu partido, inclui uma reforma fiscal e a flexibilização do emprego.

As posições de Lasso no campo social são conservadoras: ele é membro da Opus Dei e se opõe à legalização do aborto mesmo em casos de estupro e mal-formação fetal.

MÍDIA

Jornalistas e veículos de comunicação enfrentam um ambiente político e jurídico hostil no Equador, segundo grupos de liberdade de imprensa. As leis dão ao governo poderes para regular o conteúdo editorial e impor sanções.

O rádio é um dos meios de maior alcance popular. Há centenas de estações no país, algumas transmitindo sua programação em línguas indígenas. As novelas brasileiras e, mais recentemente, seriados de televisão, constituem um dos principais passatempos para os telespectadores equatorianos.

Mulher lendo um jornal no Equador
Mulher lendo um jornal no Equador

RELAÇÕES COM O BRASIL

Junto com o Chile, o Equador é um dos poucos países na América do Sul que não fazem fronteira com o Brasil. Entretanto, os países possuem importantes relações comerciais e no campo do investimento, cultura e desenvolvimento desde 1844.

Além disso, integram blocos regionais, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), e o Tratado de Cooperação Amazônica, criado em 1978 para discutir o desenvolvimento sustentável da região. Desde 2004, o Equador é também um membro associado do Mercosul.

Ao longo do século 20, o Brasil foi um importante mediador nas disputas territoriais entre o Equador e o Peru, que levaram à assinatura de um acordo de paz em Brasília em 1998. Tensões políticas, no entanto, também existiram.

Em 2008, Correa expulsou a construtora brasileira Odebrecht do país sem aviso prévio, acusando a empresa de não corrigir danos estruturais na hidrelétrica de San Francisco, que fornece 12% da energia do Equador. Em resposta, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou uma visita que faria ao país.

Em 2010, a Petrobras abandonou suas operações do território equatoriano após se negar a assinar um novo contrato que previa ganhos maiores para o Estado.

Em 2016, por outro lado, Correa solidarizou-se com Dilma Rousseff após o seu impeachment, retirando seu embaixador em Brasília.

Os presidentes Guilherme Lasso e Jair Bolsonaro são aliados políticos na região. Bolsonaro compareceu à posse de Lasso em maio de 2021.

Segundo o órgão de promoção comercial equatoriano, ProEcuador, o país andino é o principal fornecedor de chumbo refinado e conservas de pescado para o Brasil. O órgão também destaca a entrada de novos produtos equatorianos no mercado brasileiro, como o camarão.

LINHA DO TEMPO

Datas importantes na história do Equador:

Ex-presidente José Maria Velasco Ibarra
José Maria Velasco Ibarra foi presidente cinco vezes, mas não completou nenhum dos seus mandatos b

1534 - Conquista espanhola.

1822 - O Equador passa a fazer parte da Gran Colômbia independente, que também abrange a Colômbia, Panamá e Venezuela. O país se torna totalmente independente em 1830.

1934 - José Maria Velasco Ibarra é eleito presidente. Nos próximos 30 anos, ele será eleito presidente cinco vezes e derrubado quatro vezes.

1941 - Equador é invadido pelo Peru e no ano seguinte cede ao inimigo cerca de 200 mil km2 de território em disputa.

1968 - Velasco é eleito mais uma vez. Dois anos mais tarde, em meio a uma crise financeira, ele suspende a constituição e passa a governar por decreto. Quatro anos depois, é deposto por um golpe militar.

1972 - Início da extração de petróleo. Equador surge como um importante produtor da commodity.

1979 - Fim do regime militar.

1995 - Disputas territoriais levam à chamada Guerra do Cenepa com o Peru em janeiro e fevereiro de 1995. As negociações para delimitar as fronteiras envolveram Brasil, Argentina, Chile e Estados Unidos e culminaram com a assinatura da Ata de Brasília em 1998.

1997 - Protestos pedindo a demissão do Presidente Abdala Bucaram Ortiz reúnem dois milhões de pessoas em Quito, após o anúncio de aumentos de preços de 600%. O Congresso aprova a sua demissão por incompetência mental.

2006 - O socialista Rafael Correa vence as eleições presidenciais. Ele lança um programa de reforma social para aliviar a pobreza e ampliar a propriedade estatal da indústria petrolífera.

2008 - Uma nova constituição é aprovada em referendo por 64% dos eleitores. O Estado se define como plurinacional e intercultural, reconhecendo diferentes povos indígenas e nacionalidades.

2009 - Correa é eleito pela nova Constituição. Ele anuncia a nacionalização da produção petroleira e se recusa a estender o uso da base militar de Manta pelos EUA.

2012 - Equador concede asilo ao fundador do Wikileaks, Julian Assange, em sua embaixada em Londres. Autoridades suecas pedem sua extradição por estupro. Assange qualifica as acusações de politicamente motivadas pela revelação de segredos militares dos EUA, aliados da Suécia. Autoridades suecas abandonam o caso em 2019, mas os EUA continuam pedindo a extradição de Assange.

2017 - Eleito Lenin Moreno, ex-vice de Correa. Moreno se distancia do seu mentor político e adota medidas neoliberais.

2018 - Equatorianos decidem em referendo limitar os mandatos presidenciais a dois consecutivos.

2021 - Guilherme Lasso encerra 14 anos de governo de esquerda ao vencer o candidato socialista Andes Araúz, preferido de Correa.

2022 - Lasso anunciou amplo programa de privatizações que inclui a empresa pública de telecomunicações e o Banco del Pacífico.

Pássaros piqueros de patas azuis (Sula nebouxii) encaram iguana
Fauna de Galápagos inclui iguanas e pássaros piqueros de patas azuis (Sula nebouxii)