Equador se nega a revogar estado de exceção exigido por indígenas

O governo do Equador se negou, nesta quarta-feira (22), a revogar o estado de exceção que rege seis das 24 províncias do país. A exigência foi feita pelo movimento indígena como condição para o fim dos protestos, que completam dez dias e que deixaram dois mortos, dezenas de feridos e detidos.

"Não podemos suspender o estado de exceção porque isso significa deixar a capital indefesa, já sabemos o que aconteceu em outubro de 2019 e não iremos permitir", declarou Francisco Jiménez, ministro do Governo, em entrevista ao canal Teleamazonas.

O presidente da poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), que lidera os protestos, Leonidas Iza, condicionou  qualquer diálogo com o governo à revogação do estado de exceção e a "desmilitarização" de um parque em Quito.

O espaço é tradicionalmente ponto de concentração dos indígenas quando protestam na capital, mas atualmente está sob controle dos militares.

A Conaie mobilizou ao menos 10.000 indígenas em Quito, os quais centenas tiveram encontros violentos com a polícia nos últimos dias, e pede principalmente pela redução nos preços dos combustíveis.

Se o presidente conservador Guillermo Lasso não baixar os preços dos combustíveis e não aceitar as demais demandas da Conaie, "ele terá que renunciar", comentou à AFP um dos manifestantes, Olmedo Ayala.

Lasso, que assumiu o poder em maio de 2021, denunciou que o movimento indígena quer "derrubá-lo".

Em 2019, a Conaie convocou manifestações que duraram duas semanas e deixaram 11 mortos e mais de 1.000 feridos em todo o país, além de perdas de 800 milhões de dólares.

Na ocasião, os indígenas ocuparam a sede do Congresso em Quito, incendiaram a Controladoria e danificaram bens públicos e privados.

Os indígenas organizados pela Conaie também participaram de revoltas que derrubaram três lideranças equatorianas entre 1997 e 2005.

O ministro do Governo manifestou não poder "haver exigências de levantamento no estado de exceção ou de diminuir o controle que precisa ser feito na cidade, porque isso seria deixar os cidadãos indefesos e não vamos fazer isso".

"É o momento de sentar e conversar", opinou, denunciando que "lamentavelmente vidas humanas foram perdidas em situações acidentais, segundo a informação que temos, e não podemos continuar esperando".

De acordo com a Aliança de Organizações pelos Direitos Humanos, na terça-feira um manifestante indígena morreu em "confronto" com a força pública, registrado na cidade amazônica de Puyo, no sudeste. "Supõe-se que a pessoa faleceu em consequência da manipulação de um artefato explosivo", indicou a polícia.

Outro manifestante morreu na segunda-feira depois de cair em um barranco nos arredores de uma manifestação em Quito, sendo notificado como acidente pela polícia. No entanto, a Promotoria decidiu abrir uma investigação por suposto homicídio.

Além disso, nesta quarta, o ministro do Interior, Patricio Carrillo, informou que um total de 18 policiais estão "desaparecidos" após um ataque de indígenas contra instalações policiais na terça em Puyo.

Outros seis policiais ficaram "feridos com traumas severos" e mais três estão sendo mantidos retidos pelos indígenas.

A AFP reporta dois mortos, ao menos 90 feridos e 87 detidos desde o início dos protestos, em 13 de junho.

Por sua vez, a polícia informou haver 101 policiais e militares feridos, 27 detidos temporariamente pelos manifestantes e 80 civis presos.

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