Equador tem eleições e sinaliza apoio a socialistas após cansaço com austeridade

Alexandra Valencia e Brian Ellsworth
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Por Alexandra Valencia e Brian Ellsworth

QUITO (Reuters) - Os equatorianos elegerão neste domingo um novo presidente, com muitos deles apoiando o retorno do socialismo ao país depois de dolorosas medidas de austeridade econômica, o que levava o candidato de esquerda Andrés Arauz a ser visto como favorito a uma vitória ainda no primeiro turno.

O economista de 36 anos, protegido do ex-presidente Rafael Correa, lidera as pesquisas com promessas de um programa de distribuição direta de recursos a famílias pobres no valor total de cerca de 1 bilhão de dólares. Ele também rejeita as condições de um pacote de financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) de cerca de 6,5 bilhões de dólares.

Seu principal rival, Guillermo Lasso, está lutando para mudar sua imagem de banqueiro conservador, e as pesquisas dizem que ele deve sair enfraquecido caso a pandemia do coronavírus reduza a participação eleitoral.

Uma vitória de Arauz estaria em linha com o retorno das políticas de esquerda na América Latina, como ocorreu na Argentina e na Bolívia, e representaria um desafio para o governo dos Estados Unidos em seu duelo com a China por influência no hemisfério.

“Temos que continuar convencendo as pessoas para que nossa vitória, a vitória da esperança, seja ainda no primeiro turno”, escreveu Arauz em sua página no Facebook.

O Equador sofreu um surto brutal de coronavírus no ano passado, que deixou corpos acumulados pelas ruas de sua maior cidade, Guayaquil.

Além disso, medidas de quarentena atingiram ainda mais a economia, que já sofria com os baixos preços do petróleo, principal produto de exportação do Equador, que também sofreu efeitos de fortes cortes nos gastos públicos.

O presidente Lenín Moreno, um ex-aliado de Correa, promoveu uma agenda pró-mercado na esperança de ressuscitar uma economia de crescimento lento e altamente endividada.

Mas sua tentativa de melhorar as finanças públicas foi recebida de forma violenta, incluindo dez dias de protestos de rua em 2019 contra a retirada do subsídio aos combustíveis.

A lei equatoriana define o voto como obrigatório e aplica uma multa de 40 dólares por abstenção.

Os eleitores de classe média podem estar mais propensos a pagar a multa para evitar a exposição ao coronavírus, enquanto os eleitores de baixa renda, que preferem Arauz, geralmente têm menos capacidade para pagá-la e, portanto, parecem menos propensos a se abster.

Os mercados financeiros estão acompanhando de perto a eleição na nação sul-americana, e falas de Arauz já levaram a uma liquidação de títulos do país. Títulos equatorianos tiveram o pior desempenho no índice JPMorgan EMBI Global Diversified no mês passado, com uma rentabilidade total de -15%.

Arauz disse que continuará pagando as dívidas, mas afirmou que o investimento social terá prioridade e também pediu uma investigação sobre uma reestruturação de títulos de 17,4 bilhões de dólares no ano passado.

A retórica é quase idêntica à usada por Correa durante sua primeira campanha eleitoral em 2006. Seu governo deixou de pagar os títulos e depois os comprou com um desconto.

As pesquisas começaram a mostrar nos últimos dias uma probabilidade ligeiramente maior de Arauz vencer no primeiro turno.

Para isso, ele precisaria obter mais de 50% dos votos válidos ou 40% e 10 pontos percentuais a mais do que o segundo colocado. Caso contrário, o segundo turno ocorrerá em 11 de abril.

Também figura na cédula o advogado e ativista indígena Yaku Pérez, que aparece em terceiro lugar nas pesquisas. Ele propõe um programa de combate à mineração com foco nos impactos da indústria sobre bacias hidrográficas.

Os equatorianos também elegerão uma nova formação para o legislativo, na qual se espera que os aliados de Arauz tenham um bom desempenho.