Equatorianos buscam solução para crise econômica em eleições presidenciais

Alexandra Valencia
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Apoiadores do candidato a presidente no Equador Andrés Arauz se reúnem em Quito

Por Alexandra Valencia

QUITO (Reuters) - Os equatorianos, que buscam escapar de dificuldades econômicas agravadas pela pandemia de coronavírus, elegerão um novo presidente no domingo entre candidatos divididos entre manter a visão de livre mercado dos últimos quatro anos ou retomar a generosidade socialista da década anterior.

O candidato de esquerda, Andrés Arauz, apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, chega como favorito prometendo reverter as medidas de austeridade e entregar mil dólares a um milhão de famílias assim que assumir o cargo.

Ele enfrenta o duas vezes candidato presidencial Guillermo Lasso, um banqueiro conservador que promete criar milhares de empregos e estimular a economia através do investimento estrangeiro, da redução de impostos e de um aumento da produção de petróleo, seu principal produto de exportação.

"O equatoriano está vendo qual dos dois candidatos vai tirá-lo do problema econômico em que está", disse Francis Romero, diretor do instituto de pesquisa Click Report. "Está decepcionado e distante da parte política, agora só está buscando quem solucione a parte econômica".

A economia está abalada por um surto forte de Covid-19 no começo do ano passado, pelos preços baixos do petróleo e pelas medidas de austeridade dolorosas, mas necessárias para equilibrar as contas do governo depois de anos de grandes gastos e empréstimos.

O presidente Lenín Moreno, ex-aliado de Correa, não pleiteia um segundo mandato. Ele ajudou a escorar as finanças do governo com cortes de gastos e um acordo de financiamento de cerca de 6,5 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas não conseguiu fazer o país decolar.

Um pouco mais de 13 milhões de equatorianos estão habilitados a votar em meio às restrições vigentes no Equador por causa da pandemia, o que poderia reduzir a participação dos eleitores. O conselho eleitoral aumentou o número de centros de votação para evitar aglomerações, e teve dificuldades para organizar a eleição no exterior.

Se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta, ou ao menos 40% dos votos válidos com uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre seu rival mais próximo, haverá um segundo turno em 11 de abril.

O maior desafio de Arauz, se vencer as eleições, será encontrar os fundos necessários para pagar as bonificações prometidas às famílias e outras ofertas de campanha.