Equipamentos apreendidos durante Operação Favorito são furtados de depósito do MP estadual

·2 min de leitura

Celulares, laptops e tablets foram furtados em julho do depósito do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do estado (MPRJ). Os equipamentos tinham sido apreendidos pelo MPRJ durante a Operação Favorito, que denunciou 17 pessoas por fraudes na Saúde do Rio de Janeiro, em um esquema liderado pelo empresário Mário Peixoto e que contribuiu para o impeachment do ex-governador do Rio Wilson Witzel. Um estagiário do órgão recém-contratado confessou o ato infracional.

Dois dos celulares foram recuperados, segundo ofício do coordenador do Gaeco, Bruno Corrêa Gangoni, à Justiça. Por e-mail, o MPRJ não informou ao GLOBO a relação do que foi furtado, nem do que foi recuperado, alegando se tratar de assunto sigiloso. Apenas o que consta do documento à Justiça é confirmado.

Segundo relato à Justiça, no dia 28 de junho o Gaeco iniciou uma obra em suas dependências. No mesmo dia, um adolescente foi admitido no grupo como estagiário não forense. Entre as modificações na estrutura física do Gaeco, houve a alteração do local do depósito de bens e serviços, “tendo sido destacados estagiários e servidores para transportarem os bens de um local para outro”.

No dia 15 de julho, houve o alerta. Funcionários do grupo perceberam que, no depósito, havia dois invólucros plásticos rasgados, “sem o respectivo telefone em seu interior”. Em seguida, foram identificados outros invólucros violados, “sem os respectivos bens (telefones, tablets e laptops)”.

Investigações do Gaeco identificaram o estagiário como o autor do furto. Procurado, o menor não foi localizado nas comunidades do Mandela e do Arará, onde residiria. Mas, como foi desligado do estágio, sua mãe telefonou para o MP a fim de saber a razão, ocasião em que foi pedido o comparecimento do jovem ao órgão. Em 21 de julho, ele esteve no local, confessando que, entre 8 e 15 de julho, subtraiu diversos aparelhos. Devolveu dois celulares que ainda estavam com ele e indicou nomes de receptadores dos demais equipamentos.

O adolescente foi apreendido, a pedido do MP.

Um dos celulares recuperados pertence a Isaías Gomes Faria, não investigado nem denunciado pela Operação Favorito. O dono do aparelho havia pedido à Justiça a sua devolução, o que foi concedido. Mas, no dia 18 de outubro, o Gaeco pediu em juízo a extração de dados, antes de devolver o telefone, que, conforme o MP, se encontra “à disposição do interessado para a retirada”.

O Gaeco afirma que “os dados do aparelho celular que constavam por ocasião da apreensão já tinham sido extraídos quando ocorreu o furto, tendo o conteúdo sido encaminhado ao Juízo para juntada no processo. Não houve perda de informação que prejudicasse a investigação original”. Esclarece ainda que o que foi solicitado à Justiça, posteriormente, é “que fossem extraídos novos dados contidos no aparelho após o furto”, a fim de instruir nova investigação em curso sobre roubo e receptação de celulares.


Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos