Equipe de campanha de Trump processa New York Times por difamação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Phoenix (Arizona), no dia 19 de fevereiro

A equipe de campanha de Donald Trump processou o New York Times por difamação na quarta-feira por uma coluna de opinião publicada há quase um ano que mencionava um acordo entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o então candidato republicano durante a corrida pela vitória nas eleições presidenciais em 2016.

É a primeira vez que Trump ou sua equipe processam o grupo de imprensa, criticado regularmente pelo republicano desde o início de sua primeira campanha presidencial, em 2015.

A organização "Donald J. Trump for President" reivindica indenização por danos em "milhões" de dólares, de acordo com o documento apresentado na quarta-feira perante um tribunal do estado de Nova York.

Trump se queixa à justiça de uma coluna de opinião de Max Frankel, ex-diretor executivo do jornal entre 1986 e 1994, intitulado "O verdadeiro quid pro quo de Trump com a Rússia", referindo-se à expressão em latim que significa contrapartida.

"Não havia necessidade de conluio eleitoral detalhado entre a equipe de campanha de Trump e a oligarquia de Vladimir Putin porque eles tinham um acordo global: a ajuda foi concedida na campanha contra Hillary Clinton pelo quo de uma nova política externa pró-Rússia", escreveu o jornalista em sua coluna em 27 de março de 2019.

"Quando publicou esses comentários, o Times sabia muito bem que eles não eram verdadeiros", escreveu a equipe de campanha em um documento assinado por seu advogado, Charles Harder, sem especificar que a coluna aparecia na seção de opinião do jornal.

"Mas o Times publicou de qualquer maneira, sabendo que eles eram falsos e que enganariam seus próprios leitores", acrescentou.

A decisão de publicar a coluna foi tomada "devido à extrema orientação do Times e sua animosidade contra a equipe de campanha de Trump", mas também para "influenciar a eleição presidencial em novembro de 2020".

"A equipe de Trump foi à justiça para punir um colunista por ter uma opinião que eles consideram inaceitável", respondeu uma porta-voz do New York Times em comunicado enviado à AFP.

"Felizmente, a lei protege o direito dos americanos de expressar julgamentos e conclusões, principalmente quando se trata de fatos importantes para a opinião pública", afirmou.

"Trump chamou a imprensa de 'inimigo do povo'", disse o senador e pré-candidato democrata à presidência Bernie Sanders.

"E hoje, atraindo seus amigos ditadores ao redor do mundo, ele tenta atacar a liberdade de imprensa", processando o New York Times, acrescentou. "Basta", afirmou