Equipe de canoagem slalom será a primeira a desembarcar em Tóquio para a Olimpíada; veja detalhes da missão do COB

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“As mulheres sempre dão a palavra final e, no nosso caso, serão as médicas”. A frase em tom descontraído de Jorge Bichara, diretor de esportes do Comitê Olímpico do Brasil (COB), é, na verdade, carregada de preocupação e dúvida. Os Jogos de Tóquio, em plena pandemia, colocaram a equipe médica da entidade, coordenada por Ana Corte, especialista em medicina do esporte e em termologia médica, em posto-chave para toda e qualquer decisão do Time Brasil.

O COB teve de fazer inúmeras adaptações na Missão que começará em 6 de julho, com a chegada da primeira equipe brasileira ao Japão, a da canoagem slalom, com Ana Sátila, Pedro Gonçalves e seus técnicos. Eles ficarão hospedados em hotel oficial ainda não definido. Antes, no dia 1º, desembarcará o estafe operacional do COB para montagem das nove bases.

— Chegam para treinamento de adaptação à pista, uma vez que não foi realizado eventos testes. Modalidades em que o percurso interfere na performance têm a necessidade de chegar com antecedência — explica Bichara.

A vela, com seis pessoas — entre elas, três treinadores e o chefe, Torben Grael — desembarca dia 8. Ficarão na hospedagem destinada à modalidade, em Enoshima. Segundo Bichara, a antecedência se dá por causa da montagem e testagem de novos barcos e de equipamentos guardados há tempos no país.

Além de Ana Corte, a equipe médica contará com duas infectologistas que terão papel chave: Beatriz Perondi, especialista em medicina do exercício e do esporte, e Ho Yeh Li, coordenadora da UTI de moléstias infecciosas do Hospital das Clínicas. Ho foi a encarregada do resgate dos primeiros brasileiros infectados pela Covid-19 na China. No total, serão 35 pessoas, entre médicos, fisioterapeutas e massoterapeutas.

— Durante a competição esportiva, o chefe de missão e o presidente do COB tomam grandes decisões. Para esta edição, a equipe médica terá papel decisório. No final das contas, a palavra final será das mulheres — disse Bichara.

Mudanças no Japão

Entre as adaptações sugeridas estão mudanças na dinâmica das refeições nas bases, distribuição do enxoval olímpico, planejamento de viagens e disposição em quartos, ônibus e nos voos. Segundo Bichara, além dos cuidados gerais, serão priorizados quartos individuais. Se não for possível, usarão estratégias como, por exemplo, colocar atletas do mesmo clube juntos. Para os esportes coletivos, não se deixará os dois levantadores do vôlei no mesmo quarto, nem os dois principais atletas das seleções de handebol.

Para entregar cerca de 26 mil refeições, na aclimatação e competição, o COB transformou a área de alimentação de suas bases. Os locais serão arejados e não haverá self service. Uma pessoa, devidamente paramentada, servirá os atletas. Haverá turnos para evitar aglomeração e as mesas terão distanciamento.

O enxoval olímpico, com 39 mil peças, entre calças, agasalhos, camisas, bermudas, tops, bonés, bolsas e calçados, ganhou 2 mil mascaras com triplo filtro e tecido reforçado. A maioria dos atletas não se sente à vontade para competir com o acessório, mas deverá usá-lo em todas as situações de risco, inclusive no pódio. Segundo Bichara, não haverá punição para quem não usar.

O COB havia preparado “festa de boas vindas”, no Japão, para entrega da mala com os itens. O evento foi cancelado. E a costureira, que estaria à disposição durante os Jogos, dispensada.

Cerca de 14 mil testes de antígeno doados pela Fiocruz serão levados em adição aos exames oficiais e devem ser usados, principalmente, no pré-Jogos, para testar prestadores de serviço. Além disso, 85 mil máscaras descartáveis, 12,5 mil sapatilhas TNT e 400 borrifadores de álcool já foram despachados junto com outros materiais em 20 contêineres.

Os atletas não poderão circular além da Vila e dos locais de treino e competição. E também precisarão diminuir a interação entre eles. Assim, o Brasil não terá área de convivência, com TV e jogos, nesses locais. Entrevistas exclusivas e coletivas fora da programação terão de ser aprovadas primeiro pela comissão médica e depois pelos chefes de missão. A participação na Cerimônia de Abertura ainda é incógnita, já que a organização ainda não explicou como será o evento. Segundo Bichara, alguns países têm compromissos comerciais que precisam ser cumpridos nesta ocasião:

— Mas não é o caso do Brasil — garantiu o diretor, que mostrou-se preocupado com o tempo livre — O atleta ficará mais no quarto, pensando na competição, muitas vezes com nível de estresse alto.

Aclimatação

Segundo Bichara, uma das preocupações nos dias iniciais, de aclimatação ao fuso horário, é com a interação via plataforma de comunicação e redes sociais. Ele pede “compreensão” aos familiares e amigos. Além disso, o COB terá quatro psicólogos para consultas presenciais. A psicologia atuará tanto nos casos de estresse como também em situações de Covid e eliminação.

O diretor diz entender a necessidade dos atletas de se relacionar e de se comunicar, ainda mais em um vento como a Olimpíada, mas aponta que nesta edição as recomendações são de evitar riscos.

— Existirão, na medida do possível, momentos de relaxamento e descontração, ao ar livre — garante.

Os Jogos Olímpicos começam em 23 de julho.