Equipe da MSF é testemunha de execução de civis por tropas etíopes em Tigré

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Membros das forças especiais amharas em dezembro de 2020 em Alamata, na Etiópia

Uma equipe da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) que circulava pela região etíope de Tigré, cenário de um conflito armado, foi testemunha de soldados etíopes executando civis e atacando violentamente um motorista, que foi ameaçado de morte, anunciou a ONG nesta quarta-feira (24).

De acordo com um comunicado da MSF, três de seus membros circulavam na terça-feira em um veículo identificado com as cores da organização em uma estrada que liga a capital de Tigré, Mekele, à cidade de Adigrat.

"Durante a viagem, eles encontraram o que parecia ser o resultado de uma emboscada armada contra um comboio militar etíope por um grupo armado, na qual soldados foram mortos e feridos", explicou Karline Kleijer, chefe dos programas de emergência da MSF em comunicado.

Soldados etíopes pararam o veículo da MSF e dois micro-ônibus de transporte público que o seguiam, explicou. "Os soldados forçaram os passageiros a descer. Os homens e mulheres foram separados e tiveram permissão para sair. Pouco depois, os homens foram mortos".

A equipe da ONG teve permissão para deixar o local, mas seu veículo foi novamente parado por soldados etíopes pouco depois.

"Eles retiraram o motorista da MSF do veículo à força, bateram nele com a coronha de seus rifles e ameaçaram matá-lo. No final, eles o deixaram voltar para o veículo e a equipe conseguiu voltar para Mekele", contou Kleijer.

Em 4 de novembro, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, lançou uma ofensiva militar em Tigré para derrubar os líderes do partido governista Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF), que há meses desafiava o governo e é acusado de realizar ataques contra bases do exército.

Abiy, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2019, proclamou o fim do conflito depois que o exército tomou Mekele no final de novembro. No entanto, os líderes da TPLF, que fugiram, prometeram continuar a luta, o que de fato aconteceu.

Na terça-feira, Abiy reconheceu que atrocidades foram cometidas em Tigré como "estupro e saque de propriedades".

Alguns residentes relataram casos de violência sexual em grande escala e assassinatos de civis pelas forças que lutam contra a TPLF e Abiy admitiu que a Eritreia enviou soldados para a região.

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