Equipe do diretor-geral que Bolsonaro demitiu fica no comando da PF interinamente

Aguirre Talento
Agente entra no prédio da Polícia Federal, em Brasília

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que barrou a posse do novo diretor-geral, a Polícia Federal segue sob o comando interino da equipe do diretor-geral Maurício Valeixo, demitido pelo presidente Jair Bolsonaro. A saída de Valeixo provocou a demissão do ex-ministro Sergio Moro (Justiça), que saiu do cargo acusando Bolsonaro de tentar interferir da PF.

O número dois de Valeixo era o diretor-executivo Disney Rosseti, que agora passa a responder interinamente pelo comando da corporação. Fontes da PF avaliam que o impasse jurídico deve demorar para ser resolvido e isso vai prolongar a permanência de Rosseti.

O novo diretor-geral Alexandre Ramagem chegou a despachar na PF na terça-feira e fez uma videoconferência com superintendentes estaduais. Segundo a colunista Bela Megale, ele tranquilizou os superintendentes de que não haveria mudanças bruscas e também fez gestos de conciliação com Valeixo, que também participou da reunião. Agora, a situação de Ramagem fica indefinida, já que deixou o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde estava atuando antes de ser nomeado para comandar a PF.

A atual equipe montada por Valeixo também tem como diretor de investigação e combate ao crime organizado Igor Romário de Paula, que atuou na Lava-Jato pela PF de Curitiba e agora é um dos delegados responsáveis pelo inquérito das fake news, justamente uma das preocupações de Bolsonaro. Diante da instabilidade, o ministro do STF Alexandre de Moraes chegou a proferir decisão determinando que, independente de qualquer mudança, Igor Romário continue com o caso. Com a interinidade de Rosseti, Igor Romário segue em suas funções.

Isso significa que a equipe montada por Valeixo continuará tocando os inquéritos que preocupavam Bolsonaro, como o das fake news. Outras apurações também ficarão a cargo da PF, como o inquérito que apura as acusações feitas por Moro a Bolsonaro de interferências indevidas na Polícia Federal, o inquérito que apura a organização de atos antidemocráticos e também uma investigação por racismo contra o ministro da Educação Abraham Weintraub.

Em sua decisão, Moraes afirmou que havia desvio de finalidade na nomeação de Ramagem e entendeu que ela foi feita por Bolsonaro para satisfazer seus interesses pessoais em detrimento dos princípios da administração pública.

Ao anunciar seu pedido de demissão, Moro afirmou que Bolsonaro desejava fazer interferências políticas na PF, frear investigações contra aliados seus (como o inquérito das fake news) e obter informações de inteligência da corporação, atitudes que o ex-ministro considerou inaceitável.