Equipe de jornalismo é agredida e cinegrafista fica ferido em Minas Gerais

Agressor foi identificado como um empresário da região. Entidades repudiaram o episódio

Uma equipe da TV Integração, afiliada da Rede Globo, foi agredida nesta quarta-feira em Barbacena (MG) durante a gravação de uma reportagem. A repórter e o cinegrafista estavam na rua quando um homem parou o carro e começou a agredir verbalmente os profissionais. Pouco depois, ele tomou os equipamentos de gravação do cinegrafista Robson Panzera e reagiu à tentativa do jornalista de recuperar o material. Em seguida, o homem atingiu o jornalista com o tripé e chutou a câmera do profissional.

Segundo informações do G1, o homem foi identificado como Leonardo Rivelli, de 54 anos, empresário e dono de uma empresa do ramo alimentício na cidade. Ele foi preso e levado para a delegacia para prestar esclarecimentos. O cinegrafista precisou ser encaminhado a um hospital para atendimento. Ele teve uma lesão no dedo e um corte na mão. O jornalista informou que o agressor proferiu palavras ofensivas e o agrediu. A jornalista que o acompanhava registou a ação do empresário.

De acordo com a Polícia Civil, o empresário pagou uma fiança de R$ 1 mil e foi liberado. Ele vai responder por dano qualificado e lesão corporal. Ainda segundo o G1, o advogado Pedro Possa afirmou que Leonardo não iria se pronunciar sobre o assunto e que a defesa se pronunciará somente através do inquérito ou em um eventual processo.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou as agressões físicas a jornalistas em exercício da profissão e exige que as autoridades policiais apurem o ataque e punam os responsáveis.

"Os jornalistas, cada vez mais vulneráveis à fúria e aos desatinos de militantes radicais, precisam de segurança para trabalhar e circular, pressupostos básicos em regimes democráticos. Líderes políticos democráticos defendem uma imprensa livre. Se os fanáticos temem os fatos e resolvem fazer justiça com as próprias mãos, instamos que os governantes cumpram, nos âmbitos federal, estadual e municipal, o que é garantido por lei e lembrado em uma cartilha do próprio governo federal. Nela está escrito que agentes do serviço público não devem adotar 'discursos públicos que exponham jornalistas a maior risco de violência ou aumentem sua vulnerabilidade'", diz a nota.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão declarou que "nada justifica tamanha violência contra um cidadão, em especial, quando se trata de um profissional da imprensa, em pleno exercício da atividade jornalística" e reafirmou a defesa "intransigente da liberdade de expressão e do direito do brasileiro à livre informação".