Desmatamento: Equipe de Lula cobra gestão Bolsonaro por dados para 'planos imediatos'

O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) anunciou que fará solicitação a Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil, por dados de desmatamento dos últimos anos - Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) anunciou que fará solicitação a Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil, por dados de desmatamento dos últimos anos - Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) afirmou na tarde desta segunda-feira (14), em entrevista coletiva, que a equipe de transição do governo Lula enviará ao governo Bolsonaro um requerimento cobrando os dados anuais de desmatamento.

Conforme o jornal Folha de S.Paulo mostrou, as informações estão prontas, mas, no atual governo federal, há previsão de divulgá-las apenas após a COP27, a conferência do clima da ONU, que vai até o dia 18, no Egito.

De acordo com Alckmin, serão solicitados os relatórios completos do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia por Satélite) no período de agosto de 2021 a julho de 2022, para que os dados sejam analisados e a equipe possa tomar as "medidas necessárias" em seus "planos imediatos".

Ainda segundo o vice-presidente, o pedido será encaminhado ao ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), e ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), órgão responsável por compilar as informações sobre o desmatamento.

Questionado sobre as ações emergenciais que o novo governo pretende tomar já em janeiro de 2023 em relação ao desmatamento e se o orçamento previsto na PEC da transição contempla essa área, Alckmin afirmou que o tema é uma grande preocupação.

Ele destacou a ida do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva à COP27 e apontou propostas da campanha eleitoral, como fiscalização e recuperação dos órgãos ambientais.

"Haverá um esforço muito grande para o Brasil poder ser o líder, o grande protagonista da questão das mudanças climáticas, por isso estamos fazendo esse requerimento, pedindo as informações para o governo federal e para o Inpe em relação ao Prodes, e claro que as necessidades orçamentárias, no momento adequado, serão viabilizadas", disse Alckmin.

Ao lado do vice-presidente na coletiva, Aloizio Mercadante (PT), um dos coordenadores da equipe de transição, complementou a resposta afirmando que o Fundo Amazônia tem cerca de R$ 3 bilhões atualmente bloqueados pela falta de compromisso do governo brasileiro no combate ao desmatamento.

"Nós já tivemos conversas com o governo da Alemanha e da Noruega, que vão autorizar no dia seguinte à posse a liberação dos recursos", disse Mercadante.

"E na PEC da transição também há recursos específicos para recomposição orçamentária do Ministério do Meio Ambiente, especialmente dos órgãos de controle, porque essa é uma prioridade decisiva".