Equipe de Lula pressiona, e PT deve manter apoio a Freixo no RJ

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***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, 27.07.2022 - O deputado federal Marcelo Freixo (PSB). (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, 27.07.2022 - O deputado federal Marcelo Freixo (PSB). (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

O PT deve manter o apoio à candidatura do deputado federal Marcelo Freixo (PSB) ao Governo do Rio de Janeiro mesmo com o impasse ainda não solucionado sobre o nome da chapa para o Senado no estado.

A decisão foi indicada após pessoas próximas ao ex-presidente Lula manifestarem contrariedade ao rompimento.

A executiva nacional se reuniu nesta quinta-feira (4) e, formalmente, decidiu adiar o posicionamento sobre o tema para esta sexta-feira (5), prazo final para a realização das convenções. Mas houve sinais de que a maioria não concordava com o rompimento proposto pelo PT-RJ.

Pesou na decisão a articulação que já dura mais de um ano entre Freixo e Lula para construção da candidatura. O deputado trocou o PSOL pelo PSB em acordo avalizado pelo ex-presidente visando a disputa do Palácio Guanabara. Em comício no mês passado, o petista fez declaração enfática em defesa do nome do aliado.

O partido também sofreu pressão nas redes sociais de apoiadores que questionavam o abandono de uma candidatura de perfil progressista para, no lugar, alinhar-se ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT).

O PT afirma que o acordo para apoio a Freixo destinava ao partido a indicação do nome único da chapa ao Senado. O indicado foi o presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano (PT). O deputado federal Alessandro Molon (PSB), porém, afirma não ter participado desta negociação e teve o nome confirmado na convenção estadual.

Veja como foram as últimas pesquisas eleitorais de 2022:

O rompimento foi defendido pelo PT-RJ após o presidente do PSB, Carlos Siqueira, indicar que não interviria para que Molon retirasse sua candidatura ao Senado.

Durante a reunião, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-presidente do partido, Rui Falcão, defenderam a manutenção da aliança. As falas foram encaradas como um sinal de apoio de Lula ao deputado.

"Temos um compromisso. Quando fazemos um compromisso, a gente cumpre. Nós queremos que o PSB fale abertamente sobre como vai trabalhar nisso. Isso não é contra o Molon, ele tem legitimidade de pleitear. Mas isso tem a ver com uma estratégia política de unidade do nosso campo. Não é possível sair dividindo a disputa para o Senado num palanque tão importante como o Rio de Janeiro", afirmou Gleisi em entrevista.

"O PSB oficializou na executiva que não vai dar financiamento eleitoral. Isso já é grave o bastante, porque quando tira o financiamento, o candidato vai fazer o quê? Se virar? Vai ser candidato de quem? Dele mesmo? Teve um passo importante", disse ela.

Após a reunião, o vice-presidente do PT Washington Quaquá, maior defensor do rompimento com Freixo, retirou a proposta de fim da aliança. Pediu, porém, autorização para liberar a militância a apoiar outros candidatos, a fim de ampliar os palanques do ex-presidente no estado. O tema ainda será debatido na executiva nacional.

"No Rio não pode haver interesse individual ou de grupo que se sobreponha ao objetivo principal, que é isolar o bolsonarismo nos seus 25% a 30% e ampliar a campanha do Lula. As últimas divergências ocorridas em relação ao acordo feito e descumprido pelo PSB não podem prejudicar o principal", escreveu Quaquá.

"Solicito que seja dada a orientação para a militância de que, mesmo tendo dado o apoio formal do PT à chapa do PSB, que se busque ao máximo ampliar o palanque do presidente Lula, no estado, ampliando nossa campanha e isolando o bolsonarismo."

O movimento pelo rompimento com Freixo foi alvo de críticas nas redes sociais. A escritora Márcia Tiburi, candidata ao governo fluminense em 2018, defendeu a manutenção do apoio a Freixo.

"Evidentemente, o PT deve apoiar Freixo no Rio. A postura de Molon não nos leva a nada nem o levará a lugar algum, pois ele não se elegeria para o Senado nem com todo o esforço", escreveu ela.

O jornalista Breno Altman, do site Opera Mundi, afirmou que "romper com Freixo é ajudar o governador bolsonarista [Cláudio Castro] e atrapalhar a candidatura de Lula".

"O PT tem direito a vaga de senador na coalizão pró-Freixo. A candidatura Molon viola esse acordo, goste-se ou não de Ceciliano. Cabe ao PT-RJ pressionar, mantendo seu nome ao Senado", escreveu Altman.

O youtuber Felipe Neto também se posicionou a favor do deputado.

"O PSB não cumpriu o acordo? Ok. Patético por parte do partido. Mas política não pode ser feita de forma intransigente. PT retirar o apoio ao Freixo é deixar claro que prefere o Castro ganhando no RJ. PT abraça até quem apoiou o golpe, porra! E vai largar a mão do Freixo? Poupe-me", escreveu o comunicador.

A movimentação de uma ala da sigla em favor dos planos de Paes também reavivou críticas que lembravam o apelido de Partido da Boquinha, cunhado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho em 1999 para se referir à seção fluminense da sigla.

Qual a data das Eleições 2022?

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 2 de outubro, um domingo. Já o segundo turno – caso necessário – será disputado no dia 30 de outubro, também um domingo.

Veja a ordem de escolha na urna eletrônica nas Eleições 2022

  1. Deputado federal (quatro dígitos)

  2. Deputado estadual (cinco dígitos)

  3. Senador (três dígitos)

  4. Governador (dois dígitos)

  5. Presidente da República (dois dígitos)

Em áudio de oito minutos enviado a um grupo de militantes, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) respondeu aos ataques.

"O PT está aqui para dar todo o apoio ao Freixo. Mas peraí, o que é isso? O maior partido de esquerda na América Latina, no Rio de Janeiro, vai ficar fora da chapa? Acha que isso é normal? [...] Onde está o erro do PT nesse negócio? Onde é que estão os boquinhas nisso?", disse ela.

Há também resistência num setor do partido ao nome de Ceciliano, petista que tem bom trânsito com bolsonaristas no Rio de Janeiro e tem feito agendas ao lado de Cláudio Castro (PL).

Molon tem usado essa aproximação entre Castro e Ceciliano para reforçar a necessidade de sua candidatura. No comício em julho de Lula no Rio de Janeiro, o deputado do PSB afirmou que é necessário derrotar o presidente Jair Bolsonaro e Castro "sem conciliação, sem ambiguidades". Ele recebeu o apoio de artistas, como Anitta, e de nomes do PSOL.

Ceciliano, por sua vez, vem tentando se aproximar da militância mais ideológica do partido. Ele tem se apresentado como um nome fiel a Lula por não ter deixado o PT nos momentos de crise da Operação Lava Jato, em contraposição à mudança de partido feita por Molon.

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