Equipe de transição tem primeiros nomes; Tebet, Persio e André Lara estão na lista

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.10.2022 - A senadora Simone Tebet (MDB-MS). (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.10.2022 - A senadora Simone Tebet (MDB-MS). (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já tem seus primeiros nomes confirmados. Entre eles estão a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e os economistas Persio Arida e André Lara Resende.

Tebet, que disputou a eleição presidencial e apoiou Lula no segundo turno, participará do grupo na área de desenvolvimento social. Ela se reuniu com o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) nesta terça-feira (8).

Na segunda (7), a Folha de S.Paulo mostrou que a parlamentar já havia sido sondada pelo vice-presidente eleito. Durante o encontro, Alckmin disse a Tebet que ela poderia atuar e opinar na área que quisesse durante a transição. A senadora afirmou, então, que gostaria de trabalhar com temas ligados à assistência social.

Além deles, os dez partidos que se aliaram a Lula no primeiro turno já indicaram ao menos um representante por sigla.

O PSB indicou para a equipe o próprio presidente da sigla, Carlos Siqueira, o prefeito do Recife, João Campos, e o ex-governador de São Paulo Márcio França. O objetivo foi contemplar dois estados em que o PSB tem força.

França também é cotado para ocupar algum ministério de Lula. São citadas como opções a pasta de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Indústria e Comércio, além de Cidades.

O grupo de transição é formado por 50 pessoas que serão nomeadas em cargo comissionado e mais uma série de colaboradores, que atuarão como voluntários, sem receber salário.

A equipe de transição deverá ter até cinco grandes comissões, que serão subdivididas em grupos menores.

O setor que tratará de economia deve ter quatro nomes principais. Além de Persio e André Lara, o economista Guilherme Mello, professor da Unicamp e ligado ao PT, também fará parte da equipe. O quarto nome ainda está em definição.

Persio Arida chegou a ser citado entre os nomes considerados para assumir a economia. Ele é próximo de Alckmin, vice-presidente eleito e coordenador da transição.

O economista é um dos pais do Plano Real —medida que acabou com o cenário de hiperinflação nos anos 90, na transição dos governos Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)— e declarou voto em Lula no segundo turno.

Já o economista André Lara Resende, outro integrante da equipe do pai do Real que apoiou Lula, não deve ter cargo de gestão. Pode ser indicado para representar o Brasil em algum organismo internacional, como o Banco Mundial ou o FMI (Fundo Monetário Internacional), ou atuar como um formulador de políticas públicas.

Alckmin e Tebet se encontraram em um hotel de Brasília, onde acertaram os últimos detalhes da área de desenvolvimento social.

"[Simone] Integra conosco a transição e vai nos ajudar em um grupo importantíssimo. Sempre digo: nós temos dois desafios grandes, um deles é a economia, e o outro é o social e eles não disputam. Eles são sinérgicos, eles se somam, se complementam, não são excludentes", afirmou o vice-presidente eleito.

"A Simone, com a sua experiência e a sensibilidade, da força da mulher, vai trabalhar conosco na área do desenvolvimento social, que é uma área importantíssima", completou.

Alckmin evitou afirmar que essa designação da senadora significaria que ela vai ocupar o ministério referente ao tema. Elogiou Tebet, mas afirmou que ele e o presidente Lula têm trabalhado com uma separação entre a equipe que vai integrar o governo e a equipe de transição.

"O presidente Lula tem dito que a transição e o ministério não são [...] claro que ela tem expertise, experiência, espírito público para ser ministra de qualquer área, mas não tem relação entre transição e ministério", afirmou.

Após o encontro, Simone Tebet também explicou o que está abrangido na área de atuação do grupo que vai coordenar na transição. Disse que será responsável, por exemplo, pelos programas de transferência de renda.

"Acho que está muito ligado à questão da cidadania, estamos falando aí dos auxílios, do Auxílio Brasil. É óbvio que como estamos falando de 28 temas e temos tempo muito curto para tratar, não dá para trazer para essa pasta tudo aquilo que a gente entende de desenvolvimento social. Pelo contrário, agora é hora de destrinchar. Quanto mais divisão e mais colaboradores tivermos, mais eficiente seremos".

Na lista de indicados por partidos constam ainda os nomes do presidente do PSOL, Juliano Medeiros; da presidente do PC do B, Luciana Santos; do deputado Wolney Queiroz (PDT); do porta-voz da Rede, Wesley Diógenes; e do presidente do PV, Luiz Penna. O deputado eleito Guilherme Boulos (PSOL-SP) ainda será um membro da transição.

Alckmin também já designou o ex-deputado Floriano Pesaro, que tende a ser uma espécie de braço direito do vice-presidente eleito.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, conversou com o dirigente do PSD, Gilberto Kassab, que indicou o líder do partido na Câmara, Antônio Brito, para compor o conselho político que será formado durante o governo de transição. Outros nomes serão indicados pela sigla para compor a equipe que atuará no CCBB.

No desenho já definido da transição, a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, esposa do petista, deverá atuar na organização da cerimônia de posse.

Aloizio Mercadante deve coordenar esses núcleos de discussão temática. A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) deverá coordenar as relações institucionais da transição

Lula deve ir a Brasília na noite desta terça, onde se reunirá com a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Rosa Weber, o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

O périplo serviria como demonstração de respeito às instituições.