Equipe de Trump não assina documento que permite transição do governo: entenda

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A equipe do republicano Donald Trump está deixando claro que não vai facilitar as coisas para o democrata Joe Biden, eleito presidente dos Estados Unidos e que tomará posse no dia 20 de janeiro. Apesar de ainda faltar mais de dois meses, tradicionalmente, logo após a projeção dos resultados da votação, é assinado um documento que permite a contratação da equipe de transição. O que ainda não aconteceu. Até a noite desta segunda-feira, 9 de novembro, Trump ainda não havia reconhecido sua derrota.

A contagem dos votos nos Estados Unidos ainda não acabou, o que significa que Biden ainda não foi de fato eleito, apesar de já ter conseguido mais do que o necessário de votos para vencer. Mas as projeções indicam, sim, sua vitória, e, apesar de não serem “oficiais”, elas são historicamente aceitas pela sociedade americana em eleições presidenciais. De acordo com o calendário eleitoral dos EUA de 2020, o Congresso só vai declarar oficialmente os resultados no dia 6 de janeiro.

Geralmente, após essa projeção, uma agência federal chamada Administração de Serviços Gerais dos Estados Unidos (GSA, na sigla em inglês) decreta que há um vencedor aparente, iniciando os arranjos práticos para que a equipe de transição possa trabalhar. A GSA é a responsável, por exemplo, por liberar o acesso a todos os prédios federais. E é a partir desse reconhecimento que o FBI pode fazer a pesquisa sobre o passado de todas as pessoas que integram o novo governo. No entanto, segundo o jornal “Washington Post” de ontem, a equipe de Trump está se recusando a permitir que Biden inicie formalmente a transição de poder. A reportagem diz que a diretora da GSA, Emily Murphy, que foi nomeada por Trump em 2017, está se negando a fazer a carta formal que permite, entre outras coisas, a liberação de recursos para pagamento de salários e acesso a documentos oficiais.

A equipe de Biden já pediu à GSA o sinal verde para ter acesso a verbas, documentos e instalações federais. Mas uma porta-voz da agência afirmou que não houve ainda uma vitória verificada. Trump ainda pode contestar o resultado da eleição, mas precisaria provar na Justiça a existência de irregularidades.

Um documento assinado por ex-integrantes dos governos Barack Obama, Bill Clinton e George W. Bush (este último, republicano, assim como Trump) diz que “apesar de ainda haver disputas judiciais, o resultado é suficientemente claro para que o processo de transição comece”.

Demissão no Twitter

Trump anunciou nesta segunda-feira que demitiu seu secretário de Defesa, Mark Esper. Sem apontar os motivos, o presidente afirmou ainda que o atual diretor do Centro Nacional Antiterrorismo, Christopher Miller, é quem vai assumir a pasta. Tudo isso no Twitter.

Esper estava no cargo desde julho do ano passado e chegou a ganhar o apelido de “Yesper” por levar adiante todas as ordens do presidente Trump. Mas a relação entre os dois se deteriorou de forma rápida a partir de junho, em meio aos protestos contra o racismo nos EUA.

Diante de um pedido de Trump para que militares fossem usados para conter os atos, Esper foi contra, dizendo que isso era um recurso a ser usado em último caso.

A demissão de Esper já vinha sendo antecipada há alguns dias pela imprensa dos Estados Unidos, em meio à apuração dos votos da eleição presidencial.