Equipes de Lula e Bolsonaro iniciam transição e protestos perdem força

Representantes do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do atual incumbente, Jair Bolsonaro (PL), se reunirão para iniciar a transição de poder nesta quinta-feira (3), em um momento em que os protestos e bloqueios de estradas diminuem no país.

Os bloqueios de estradas, que passavam de 250 em todo o país na quarta-feira, começaram a perder força depois que Bolsonaro, que não reconheceu abertamente sua derrota nas eleições, pediu a seus apoiadores que desobstruíssem as rodovias, embora tenha respaldado os protestos em outros lugares.

"Quero fazer um apelo a você: desobstrua as rodovias (...) Outras manifestações que estão fazendo pelo Brasil todo (...) Fazem parte do jogo democrático. Fiquem à vontade", declarou Bolsonaro em um vídeo compartilhado em sua conta no Twitter.

Nesta quinta-feira, havia 74 bloqueios parciais ou totais nos 26 estados e no Distrito Federal, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PFR), que dispersou 862 manifestações.

O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (centro), vai se reunir durante a tarde com o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, em Brasília, indicaram fontes de ambas as equipes à AFP.

Também participarão do encontro a presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, e o coordenador do programa de governo de Lula, Aloizio Mercadante, informou a CNN.

Alckmin, ex-governador de São Paulo, está encarregado de coordenar a transição com o governo em fim de mandato, com o qual já manteve contatos em meio à incerteza provocada pelos dois dias de silêncio de Bolsonaro, após sua derrota no segundo turno, no domingo.

Mais cedo, ele participou de uma reunião no Senado com o objetivo de iniciar um processo para introduzir mudanças no orçamento de 2023 e cumprir as promessas de campanha de Lula no campo social.

"Há necessidade de ter uma suplementação para garantir os serviços, garantir as obras, e ao mesmo tempo, por exemplo, a questão do Bolsa Família de R$ 600,00", disse Alckmin sobre o programa criado no governo Lula e que Bolsonaro renomeou de Auxílio Brasil.

- "Tratados como criminosos" -

A primeira reunião entre representantes de ambos os lados ocorrerá após os protestos dos apoiadores de Bolsonaro contra a vitória do líder do PT, que assumirá o cargo em 1º de janeiro.

Na quarta-feira, feriado de Finados, milhares de bolsonaristas se reuniram em frente a quartéis das principais cidades brasileira para pedir intervenção militar contra a derrota de seu candidato (50,9% de votos para Lula, frente a 49,1% para Bolsonaro).

Os atos se somaram aos bloqueios rodoviários que se seguiram ao anúncio da vitória de Lula e têm causado problemas no transporte de mercadorias e em deslocamentos.

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Alexandre de Moraes denunciou essas manifestações. "Aqueles que, criminosamente, não estão aceitando os resultados e, criminosamente, estão praticando atos antidemocráticos serão tratados como criminosos, e as suas responsabilidades serão apuradas".

No Rio de Janeiro, apenas algumas dezenas de pessoas permaneciam na manhã desta quinta-feira em frente ao Comando Militar do Leste, no centro da cidade, algumas delas após terem passado a noite acampadas no local.

"Eu acredito que a gente vai ter uma ditadura comunista" com Lula, disse à AFP Jéssica dos Santos Ferreira, de 31 anos. "É um ladrão, não é um exemplo para o meu filho de 11 anos", afirmou a empresária disposta a permanecer no local até uma suposta intervenção militar.

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