Erdogan considera 'sem fundamento' reconhecimento de Biden do genocídio armênio

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Militares armênios depositam flores no Memorial Tsitsernakaberd em Yerevan, em 24 de abril de 2021, em memória do 106º aniversário dos assassinatos em massa de armênios no final da Primeira Guerra Mundial pelas forças otomanas.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou nesta segunda-feira (26) "sem fundamento" o reconhecimento dos Estados Unidos do genocídio armênio e alertou sobre seu "impacto destruidor" nas relações entre ambos os países.

"O presidente americano fez declarações sem fundamento, injustas e contrárias à realidade", ao reconhecer o genocídio armênio no sábado, declarou Erdogan, alertando sobre o "impacto destruidor" deste gesto de Joe Biden nas relações já tensas entre Ancara e Washington.

"Acreditamos que esses comentários foram incluídos na declaração após a pressão de grupos radicais armênios e círculos anti-turcos", acrescentou o presidente turco.

"Mas esta situação não anula o impacto destruidor desses comentários", reiterou.

A Armênia, apoiada por muitos historiadores e acadêmicos, afirma que 1,5 milhão de pessoas de seu povo morreram em um genocídio promovido pelo Império Otomano entre 1915 e 1917.

A Turquia afirma que tanto armênios como turcos morreram em grande número durante a Primeira Guerra Mundial, mas nega com veemência que houve uma política deliberada de genocídio, um termo que não era definido legalmente até então.

No sábado, Biden reconheceu o genocídio armênio e se tornou o primeiro presidente americano a usar a palavra 'genocídio' no comunicado que a Casa Branca costuma emitir com motivo do aniversário desse massacre.

"Se você fala de genocídio, deve olhar para o espelho", respondeu Erdogan nesta segunda.

"Também podemos falar do que aconteceu com os nativos americanos, com os negros e no Vietnã", criticou.

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