Erdogan diz que Turquia não apoia adesão de Finlândia e Suécia à Otan

Presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, durante entrevista coletiva em meio à cúpula da Otan, em Bruxelas

Por Ece Toksabay

ANCARA (Reuters) - O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse nesta sexta-feira que não era possível que seu país, que é membro da , aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), apoie planos da Suécia e da Finlândia para aderir ao pacto, dizendo que os países nórdicos são "o lar de muitas organizações terroristas".

Embora a Turquia tenha apoiado oficialmente a ampliação da aliança desde que aderiu à Otan há 70 anos, sua oposição poderia representar um problema para a Suécia e a Finlândia, pois os novos membros precisam da concordância unânime dos integrantes atuais.

O plano da Finlândia de solicitar a adesão à Otan, anunciado na quinta-feira, e a expectativa de que a Suécia seguirá o mesmo caminho, pode levar à expansão da aliança militar ocidental, algo que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pretendia evitar ao lançar a invasão da Ucrânia.

"Estamos acompanhando os desdobramentos relativos à Suécia e Finlândia, mas não temos opiniões positivas", disse Erdogan aos repórteres em Istambul, acrescentando que foi um erro a Otan aceitar a Grécia como membro no passado.

"Como Turquia, não queremos repetir erros semelhantes. Além disso, os países escandinavos hospedam organizações terroristas", disse Erdogan, sem dar detalhes.

"Eles são até mesmo membros do Parlamento em alguns países. Não é possível que sejamos a favor", acrescentou.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que os finlandeses seriam "calorosamente recebidos" na aliança e prometeu um processo de adesão "suave e rápido", o que também é apoiado pelos Estados Unidos.

Mas a Turquia tem repetidamente criticado a Suécia e outros países da Europa Ocidental pelo tratamento que dá a organizações consideradas terroristas por Ancara, incluindo os grupos militantes curdos PKK e YPG, e os seguidores do clérigo islâmico Fethullah Gulen, que mora nos EUA.

Ancara diz que os Gulenistas realizaram uma tentativa de golpe em 2016. Gulen e seus partidários negam a acusação.

Moscou na quinta-feira chamou o anúncio da Finlândia de hostil e ameaçou retaliação, incluindo medidas "técnico-militares" não especificadas.

A Turquia criticou a invasão da Ucrânia pela Rússia, enviou drones armados à Ucrânia e procurou facilitar as conversações de paz entre as partes. Mas não apoiou as sanções ocidentais a Moscou e procura manter estreitos laços comerciais, energéticos e turísticos com a Rússia.

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