Esposa de Fillon pode ter falsificado documento para justificar emprego

Paris, 28 mar (EFE).- Penelope Fillon, esposa do candidato conservador à presidência da França, pode ter falsificado um documento para justificar seu cargo como assistente parlamentar de seu marido, segundo publica nesta terça-feira a imprensa.

O jornal "Le Parisien" revela um contrato que, segundo os investigadores, constituiria a prova de que os Fillon falsificaram documentos, o que pode se traduzir na principal acusação contra eles.

Esta nova revelação ocorre no mesmo dia no qual está previsto que Penelope Fillon compareça perante os três juízes instrutores que investigam seu suposto emprego fictício, interrogatório ao término do qual pode ser acusada.

Ao contrário de seu marido, que foi acusado no último dia 14 por desvio de fundos, Penelope pode também ser acusada de estelionato agravado, por causa das suspeitas sobre a falsificação desse documento.

Segundo o jornal, os agentes encontraram o documento supostamente falsificado durante a segunda revista realizada no escritório de François Fillon na Assembleia Nacional, em 10 de março.

Entre os papéis da secretária do deputado foi encontrada uma pasta na qual apareciam relações de empregados, que datam de 2012, com o nome da esposa de Fillon, nas quais figurava que seu contrato como assistente parlamentar era de 20 horas semanais.

Os documentos entregues na primeira revista, no entanto, indicavam que a duração de seu contrato era de 14 horas semanais, pelas quais Penelope Fillon cobrou 3.872 euros mensais brutos.

Em paralelo a esse trabalho no parlamento, a esposa do agora candidato tinha outro contrato por tempo integral com a revista "La revue dês deux mondes", dirigida por um amigo de seu marido, pelo qual embolsava 5 mil euro mensais brutos.

O problema é que a lei francesa impede acumular dois contratos por tempo integral. Porém, no contrato de Penelope Fillon com a Assembleia Nacional, constava 20 horas e suporia uma ilegalidade.

Por isso, a acusação suspeita que os Fillon puderam ter falsificado esse documento para dar legalidade a ambos trabalhos simultâneos.

O candidato, por sua vez, continua defendendo sua inocência e acusando o atual presidente, François Hollande, de ter criado um complô contra ele para evitar que chegue ao Eliseu.

Uma linha de defesa que, segundo as pesquisas, não está dando resultados por enquanto.

Uma pesquisa divulgada hoje pelo grupo de veículos de imprensa públicos revela que o candidato conservador fica terceiro em com 18% das intenções de voto no primeiro turno que será realizada em 23 de abril, atrás da ultradireitista Marine le Pen (25%) e do liberal Emmanuel Macron (24%). EFE