Erika Hilton pede que Bolsonaro devolva mais de R$ 182 mil por gastos com cartão em motociata

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 01.10.2022 - O então presidente Bolsonaro durante motociata com apoiadores. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 01.10.2022 - O então presidente Bolsonaro durante motociata com apoiadores. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A deputada federal eleita Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposto uso indevido do cartão corporativo da Presidência para o financiamento de motociatas.

Hilton cita gastos publicados pela agência Fiquem Sabendo e obtidos por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação) a respeito de motociatas ocorridas em 12 de junho de 2021 e em 15 de abril do ano passado, ambas durante eventos religiosos.

Em uma delas, estavam presentes a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), o então ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e outros parlamentares.

A deputada eleita pede que sejam devolvidos à União ao menos R$ 182.909,83 gastos durante os eventos e que Bolsonaro seja investigado pela suposta prática de improbidade administrativa.

"Os fatos amplamente divulgados por órgãos de imprensa ensejam uma série de questionamentos acerca de possíveis ilegalidades praticadas durante as motociatas encampadas por Jair Bolsonaro, tendo em vista a utilização de recursos públicos, por intermédio do cartão corporativo da Presidência da República, para financiar gastos inerentes a atividades com notório caráter eleitoral e pessoal", diz a notícia-crime.

Hilton afirma, por exemplo, que durante a segunda edição da motociata "Acelera para Cristo", realizada em abril do ano passado no interior de São Paulo, foram utilizados R$ 103.042,29 do cartão corporativo, dos quais R$ 2.614,61 se destinaram a combustíveis e lubrificantes automotivos, R$ 64.459,93 a alimentação e R$ 35.967,75 a hospedagens.

"A situação leva a robustos indícios de utilização indevida, por parte de Jair Bolsonaro, de recursos públicos para sua promoção pessoal e a completa ausência de qualquer justificativa de interesse público na utilização do cartão corporativo", afirma Erika Hilton.