Eleições 2020: Erika Hilton entrou na política pelo direito ao nome social

Emily Santos
·2 minuto de leitura
Erika Hilton é primeira mulher transexual eleita por São Paulo. Foto: Reprodução/Instagram @hilton_erika
Erika Hilton é primeira mulher transexual eleita por São Paulo. Foto: Reprodução/Instagram @hilton_erika

Nas eleições municipais de 2020, os paulistanos elegeram 55 vereadores para o próximo mandato na capital paulista e, entre eles, a primeira mulher transexual. Erika Hilton ganhou seu primeiro pleito municipal como a vereadora mais votada - 50.508 votos. Ela é uma dos 25 candidatos trans que foram eleitas para cargos públicos neste ano.

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Anteriormente integrante da Bancada Ativista como co-deputada estadual de São Paulo, Hilton já se preocupava em ocupar espaços e trazer representatividade para a política nacional. Em um bate-papo como Yahoo em junho deste ano, ela revelou que foi a militância que lhe abriu as portas para a política institucional.

“Travei uma briga com uma empresa de transporte público em Itú, minha cidade natal, que me negou o direito ao uso do nome social na carteirinha de transporte escolar”, lembrou ela. Na ocasião, Erika abriu uma petição digital que viralizou, teve mais de 100 mil assinaturas em dois dias, e chegou ao conhecimento do PSOL, que a convidou para militar pelo partido.

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Em 2016, a vereadora saiu candidata a vereadora em Itú pela primeira vez, mas não conseguiu se eleger. Ela, então, foi prestar graduação na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) já como militante do PSOL e do movimento estudantil. Em 2018, Erika foi eleita pela Bancada Ativista com 149.844 votos, na maior votação de candidatura coletiva ou compartilhada já teve no Brasil.

No entanto, não é fácil se manter na função em um ambiente que ainda é muito branco, heterossexual e cisgênero. Mesmo aos partidos de esquerda ditos progressistas, tornar pautas pretas como prioritárias é uma dificuldade latente.

“A sociedade como um todo ainda não entendeu que a pauta racial e a pauta do movimento negro é muito maior do que algo subjetivo ou identitário. É uma pauta por novos modelos de socialização, por marcos civilizatórios, pela revisão do que se formou como filosofia, sociologia, antropologia, religiões, que foram constituídas em cima de um processo escravocrata, no qual a mulher e o homem pretos não tinham voz”, explana.

“É preciso que os partidos e a sociedade como um todo enxerguem que os tempos são outros, e que somos todos responsáveis pela transformação da sociedade, pelo novo modelo de mundo que queremos, onde a pauta racial seja central, a pauta feminista e LGBTQI+ seja central, e todos os grupos que foram usurpados e negados de direitos básicos possam ser formuladores”, completou ela.

Assista a entrevista completa, disponível no vídeo abaixo.

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