Erika incomoda como fazendeira e levanta discussão: por que é difícil respeitar uma mulher no poder?

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Erika Schneider é a fazendeira da semana (Foto: Reprodução/PlayPlus)
Erika Schneider é a fazendeira da semana (Foto: Reprodução/PlayPlus)

Foi só Erika Schneider se tornar fazendeira para que os homens da casa se incomodassem com o comportamento da peoa. Desde o momento em que ela delegou as funções, uma fofoca sobre sua postura começou a se espalhar pela sede de "A Fazenda 13". Arcrebiano, Erasmo, Gui Araújo, MC Gui, Victor, Mussunzinho e outros afirmaram, em diversas ocasiões, que a loira deixou o poder subir à cabeça.

No momento em que Erika delegou as tarefas, no entanto, os peões foram questionados por ela sobre o que gostariam de fazer. Ficando no vácuo, a fazendeira definiu o destino de cada um na semana do seu mandato. Bill, que já havia decepcionado a moça na formação da roça, ficou com a vaca (animal mais trabalhoso) e não gostou da forma que ela o escalou. 

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Sem saber que estava na boca do povo, Erika seguiu sua semana de fazendeira ajudando nas tarefas com os animais e pedindo ajuda nas tarefas domésticas. Muitos não se agradaram, mas não sabiam definir exatamente o que incomodava nas atitudes dela. Somente Erika soube dar nome ao que está rolando após uma conversa com os peões incomodados. Segundo ela, trata-se de machismo

"Percebo que minha voz não tem muito poder para algumas pessoas", iniciou. "Mas nada muito diferente do que já acontece lá fora, na rua, na vida. Difícil uma mulher estar no poder. Pra alguns homens, receber ordens de uma mulher... são machistas", completou, chateada com os julgamentos.

Nesta segunda-feira (27), MC Gui conversou com Erika e afirmou que não se reconhece "machista". Pontuando bem, a fazendeira afirmou que ele não enxerga por ser homem e deixou claro que não mudará por causa dos outros.

"Estou entrando em uma pira que não é minha. Sei a Erika que sou, sei o que estou fazendo e o que senti. Se as pessoas acham isso, não estou preocupada. Estou exercendo a minha função e sei o que estou fazendo. Hoje o chapéu tá na minha cabeça e amanhã estará em outra (...) Sabe quando você está certa e as pessoas te induzem a achar que está errada? Não fui prepotente com ninguém. Estou sempre trabalhando. Quando peço algo não é por maldade", defendeu.

Entre as críticas que Erika recebeu, alguns falaram sobre postura, mudança, soberba. Comentários que não foram feitos quando Gui Araújo esteve no comando e também tomou suas decisões. Aos que dizem que ela mudou, é claro que isso aconteceu. Na primeira semana de jogo, Erika ainda estava conhecendo os colegas de confinamento e não tinha a obrigação de liderar a casa, o que não a deixou em uma posição de destaque como agora. Sobre a divisão das tarefas, o que esperavam que ela fizesse se ninguém se dispôs a fazer o que era preciso? É função do fazendeiro dar as ordens. Sobre a forma de falar, por que as pessoas acham que toda mulher tem que ser doce, abaixar a cabeça, pedir com carinho? Ser assertiva é necessário quando se está à frente de algo.

O que Erika está enfrentando no reality é o dia a dia da maioria das mulheres em suas casas e trabalhos. Prova disso é discutirmos o mesmo assunto em quase todos os realities e temporadas. 

Em entrevista recente ao Yahoo, a advogada, comentarista política e empresária Gabriela Prioli reforçou que não é fácil lidar com homens que diariamente desmerecem sua opiniões, conhecimento e conquistas. Para ela, no entanto, as falas problemáticas são apenas a "ponta do iceberg".

"Uma mulher que vivencia a experiência do machismo, da misoginia, vivencia um tipo de opressão. E combater o machismo é pensar numa estruturação da nossa sociedade como um todo, na construção dos papéis de gênero, na ocupação de espaços pelas mulheres", avalia Prioli.

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