Kim e Moon se reúnem para discutir desnuclearização norte-coreana

Andrés Sánchez Braun

Seul, 26 abr (EFE).- A histórica cúpula que será realizada nesta sexta-feira entre os líderes das duas Coreias discutirá a desnuclearização norte-coreana, um tema repleto de incógnitas e que divide especialistas.

Após o reaquecimento das relações ocorrido durante os Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, Seul e Pyongyang aumentaram os contatos, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, anunciou por meio de intermediários que o fim do programa atômico do país seria debatido tanto no encontro de 27 de abril como na futura reunião de maio ou junho com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Recentemente, a Coreia do Norte informou que interromperá os testes com mísseis e bombas nucleares e desmantelará seu centro de testes atômicos, o que pode ser interpretado - ainda com certa cautela - como um gesto que busca proporcionar o fim do programa de armas.

O governo sul-coreano disse que o tema será o foco do encontro, o primeiro entre líderes das duas Coreias em 11 anos, e que a meta de Moon é conseguir uma península livre de armas nucleares.

"A desnuclearização não será o principal tema da cúpula; o principal será o princípio de desnuclearização em si. Haverá só um acordo muito básico", declarou Jo Dong-joon, vice-diretor do Instituto de Estudos para a Paz e a Unificação da Universidade de Seul e especialista em desnuclearização.

O chamado "princípio de desnuclearização" é um dos cinco pontos do plano que Moon apresentou ao parlamento em novembro para conseguir a paz na península coreana e se baseia na declaração conjunta que as duas Coreias assinaram em 1992.

Em virtude do documento, os dois países se comprometeram, entre outros aspectos, a não possuir, testar ou produzir armas atômicas e não operar instalações para produzir urânio para tais bombas; o contrário do que Pyongyang tem feito desde os anos 90 com o desenvolvimento de um programa armamentista.

Jo disse acreditar que Moon pretende recuperar na cúpula esse acordo geral - nunca implementado por causa das desavenças sobre como inspecionar e verificar de maneira recíproca o cumprimento do estipulado no texto - como um primeiro passo para preparar o terreno para uma futura negociação com os EUA.

Por outro lado, o professor Mun In-chul, ligado à mesma instituição, opinou que Kim Jong-un pretenderá colocar na cúpula desde o princípio uma série de condições para que o regime norte-coreano opte pela desnuclearização.

"A parte mais espinhosa é a retirada das tropas americanas na Coreia do Sul, o que acho que Pyongyang vai exigir", disse o especialista, embora o presidente sul-coreano tenha garantido que o Norte se comprometeu a não cobrar, explicou Mun, que estuda as relações entre as Coreias.

"Seul está em uma posição muito incômoda porque essa exigência condiciona a aliança com Washington que existe desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953)", acrescentou.

Por isso o especialista diz acreditar que Moon insistirá para assinar um tipo de acordo de paz que ponha fim ao regime que existe na península em virtude do cessar-fogo que colocou fim ao conflito.

Esse assunto também é tecnicamente muito complexo, já que o documento que interrompeu a guerra foi assinado por EUA, como líder do contingente da ONU (no qual está a Coreia do Sul), Coreia do Norte e o chamado exército de voluntários chineses.

Segundo Mun, um "tratado de paz" requereria a participação de mais envolvidos e a realização de mais cúpulas no futuro. Moon já se mostrou disposto, o que indicaria que o presidente sul-coreano contempla a reunião de sexta-feira como um passo preparatório para a cúpula entre Kim e Trump e outras reuniões futuras. EFE